Projeto Meninas nas Ciências

A desigualdade de gênero na área de Ciências é um tema que, infelizmente, transpassa em nossos dias atuais. Segundo dados da UNESCO sobre os grupos que formam as comunidades científicas, as mulheres representam apenas 30% dessa população total. Se analisarmos as publicações científicas, temos que 60% do total publicado são de pesquisadores do sexo masculino. Considerando ainda os laureados pelo prêmio Nobel (prêmio de reconhecimento internacional por pesquisas ou descobertas notáveis para a humanidade) temos que apenas 5% dos laureados são mulheres.

No Brasil, os dados apresentados pela Academia Brasileira de Ciências não são diferentes dos apresentados pela UNESCO a nível mundial. Nas áreas das Exatas e Tecnologias observamos a predominância de pesquisadores do sexo masculino, refletindo o caráter da desigualdade de gênero. Dessa forma, quando pensamos em um projeto como o “Meninas nas Ciências” estamos tentando, mesmo que a passos lentos, mudar esse cenário de desigualdade de gênero nas Ciências para os próximos anos.

Quando visitamos espaços fora do ambiente acadêmico, em sua maioria, escolas, tentamos utilizar metodologias alternativas e dinâmicas educacionais diferentes daquelas utilizadas pelos professores no período normal de aula, de forma a promover a interação dos alunos com a Ciência e com questões de desigualdade de gênero. Podemos destacar o uso de oficinas com experimentos científicos, seminários, simulações computacionais e ainda a aplicação de questionários como forma de avaliação dos conhecimentos prévios dos alunos sobre Ciência. Em todas essas atividades, buscamos estabelecer um vínculo dos alunos com a Ciência e mostrar a importância das universidades públicas no contexto de possibilidade de acesso a uma carreira científica.

As atividades do projeto são realizadas mensalmente, em diferentes instituições e em diferentes turmas de alunos, com uma faixa etária que varia de 06 a 18 anos. Em todas as atividades, realizamos um experimento científico que envolve Ciência e também um seminário em que abordamos dados sobre a desigualdade de gênero e exemplos de mulheres historicamente relevantes para o desenvolvimento científico e social. A primeira atividade realizada em 2019 foi a Oficina de Perfumes no Instituto Estadual de Educação Osvaldo Cruz, quando as alunas aprenderam sobre de Química envolvida na elaboração de perfumes e a Física das embalagens e, então, produziram o seu próprio perfume. Uma outra atividade desenvolvida foi na EEEF Roque Degrazia. Os alunos assistiram um seminário sobre o projeto e, então, realizaram um experimento que produzia chuva ácida, com o intuito de desenvolver conhecimento sobre a importância das pesquisas científicas para detectar e amenizar esse problema. Também realizamos diversas atividades na Escola José Gonçalves da Luz onde aplicamos, entre muitos, um experimento didático sobre viscosidade que envolvia conceitos de Química e Física sobre as propriedades dos líquidos.

No atual cenário em que nos encontramos no ano de 2020 (pandemia de Covid- 19), as atividades do projeto nos meses de abril e maio foram voltadas para a produção de sabonetes líquidos. Foram produzidos 18 litros de sabonete líquido que foram distribuídos às instituições do município de Itaqui (Lar do Idoso, APAE e o CRAS). Essa atividade bem como outras ações desenvolvidas pela UNIPAMPA, neste cenário, servem para demonstrar a importância da ciência, da força feminina e da universidade pública no enfrentamento à Covid-19.

Membros do Projeto: Caroline Raquel Bender (Coordenadora); Integrantes: Elaine Fortes, Caroline Jaskulski Rupp, Bruna Zambrano dos Santos, Milena Matos Azevedo, Augusto Freitas, Andreia Maria Sousa Freitas, Milenne Baltazar de Almeida Bolanho, Michele Carrard, Gabriel Ramos Porfirio, Darlian Souza Quintero.

Referências e sugestões de leitura

Academia Brasileira de Ciências – 2016 – Disponível em: http://www.abc.org.br/

FEENEY – Mary K. Feeney – Por que tão poucas mulheres ganharam prêmios Nobel de ciência? – 2019 – Disponível em: https://revistagalileu.globo.com/ – Acesso em: 07 de maio de 2020.

Organização das Nações Unidas Brasil – Desigualdades de gênero afastam mulheres e meninas da ciência, dizem especialistas – 2019 – Disponível em: https://nacoesunidas.org – Acesso em: 04 de maio de 2020.

Redação Galileu – Mulheres são maioria na ciência, mas apenas 23% têm cargos de influência – 2019 – Disponível em: https://revistagalileu.globo.com/Ciencia/– Acesso em: 03 de maio de 2020.

SILVEIRA – Aline Reinhardt da Silveira – Campus Itaqui produz 18 litros de sabonete líquido para doação – 2020 – Disponível em: https://unipampa.edu.br/portal/ – Acesso em: 07 de maio de 2020.

Revisado por Cristina dos Santos Lovato.

Produção de Álcool Gel 70% na UNIPAMPA-Itaqui/RS: procedimentos para a produção

Este vídeo demonstra de forma rápida os principais passos da metodologia experimental utilizada para a produção de álcool gel 70% (ou 70° INPM), que vem sendo realizada na UNIPAMPA-Itaqui. O intuito desta produção é distribuir o álcool gel para o serviço público de Itaqui, como uma ação no combate a pandemia da Covid-19. Embora o vídeo demonstre os principais passos para esta produção, o tipo de polímero utilizado, as quantidades e concentrações de cada reagente, bem como o tempo de espera entre as etapas foram omitidos propositalmente. Isso foi feito para evitar que a população leiga assista ao vídeo e tente reproduzir a metodologia em casa.

 

Pode parecer óbvio que esse tipo de procedimento não possa ser realizado em casa. Entretanto, com o aumento no número de casos de pessoas infectadas pelo vírus Sars-CoV-2, não foram poucas as “receitas” e vídeos que surgiram na internet ensinando a população a fazer álcool gel “caseiro.” Alguns procedimentos utilizam gelatina sem sabor ou gel de cabelos com espessante. Contudo, dependendo do que se utiliza como espessante em vez de o álcool eliminar o vírus pode gerar um efeito de potencialização e/ou irritação da pele. Além disso, muitas receitas utilizam aquecimento, o que, por sua vez, aumenta o risco de o produto inflamável entrar em combustão e provocar incêndios.

 

Como previamente mencionado na reportagem Álcool em gel 70% contra o novo Coronavírus, publicada neste jornal, o álcool 70° INPM possui a concentração ótima para o efeito antisséptico. O álcool comercializado em mercados e farmácias possui a concentração de 46º INPM, i.e., mais diluído que o álcool 70° INPM. Portanto, as receitas caseiras de álcool gel produzido a partir do álcool 46° INPM não serão eficientes para assepsia e higiene das mãos contra o Sars-CoV-2, uma vez que não atingem concentração adequada (o mesmo serve para a Vodka e bebidas alcoólicas similares). O álcool combustível também não pode ser utilizado, já que pode conter contaminações (resquícios de gasolina, diesel, hidrocarbonetos, metais pesados, etc.) provenientes da produção, transporte e/ou armazenamento. Os contaminantes podem alterar o pH do produto final.

 

Por último, é relevante enfatizar que o álcool gel vendido em farmácias e/ou produzidos por profissionais capacitados – utilizando substâncias que garantem a estabilidade e concentração adequada para matar o vírus – são os únicos que devem ser utilizados no combate a Covid-19 neste momento.

 

Caroline R. Bender é professora adjunta da Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA), campus Itaqui-RS. Possui graduação em Química Licenciatura (2011/2) e Química Industrial (2018/2) pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Possui mestrado em Química, na área de concentração Química Orgânica pela mesma Universidade, onde trabalhou no estudo do comportamento de agregação de diferentes líquidos iônicos. Realizou doutorado em Química pela UFSM (2014-2018). E-mail: carolinebender@unipampa.edu.br