Sobre

   A temática relacionada a políticas linguísticas acerca da implementação de línguas estrangeiras na Educação Básica, mais especificamente estudos a respeito do seu status nas escolas públicas ainda é sumariamente explorada, especialmente nos cursos de formação de professores de línguas. Além disso, há, em menor proporção, investigações cujo foco está voltado ao estabelecimento do perfil de professores de línguas estrangeiras que atuam em redes públicas de ensino. Em função disso, neste estudo, propomos discussões sobre as recentes mudanças na legislação acerca da obrigatoriedade da oferta da língua espanhola no Brasil e de como tem sido esse processo em municípios dos estados do Rio Grande do Sul (doravante RS) e de Santa Catarina (doravante SC) tendo em vista fatores atrelados à oferta da língua espanhola, no âmbito da Educação Básica, e ao professor como profissional dessa LE.

Segundo dados do site deolhonailha, SC, em 2018, recebeu 23, 5% de turistas argentinos. Além disso, esse estado possui dez municípios1 que fazem fronteira com país de língua espanhola. De igual maneira, o RS também apresenta municípios fronteiriços2. A opção pelo foco nos dois estados, para fins de pesquisa, encontra suporte nas seguintes motivações: mais de ¼ de turistas de SC são falantes de espanhol; a soma de municípios fronteiriços, nos dois estados, chega a um total de 38 cidades e, por último, as universidades envolvidas no presente projeto possuem cursos e programas destinados à formação inicial e continuada de professores de espanhol.

O projeto “Mapeamento sobre o ensino do espanhol em escolas públicas do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina: uma abordagem quantitativa” propõe a realização de estudo relacionado ao escopo das políticas linguísticas e à formação de professores em municípios fronteiriços (Bagé, Aceguá, Jaguarão,Uruguaiana, Itaqui, São Borja e Santa do Livramento, Bandeirante, Belmonte, Guaraciaba, Itapiranga, Paraíso, Princesa, Dionísio Cerqueira, Santa Helena, São José do Cedro e Tunápolis) e em uma capital, Florianópolis. Por meio desta investigação, em primeiro lugar, será possível a ampliação de pesquisa anterior (BERGMANN; CESCO, 2014), visto que o presente estudo, além de abranger todos os municípios fronteiriços de SC, contará com a participação de sete cidades do RS nessa mesma situação Somado a isso, a investigação será desenvolvida nas escolas da rede pública do RS e de SC a partir do controle de maior número de fatores relacionados à oferta da língua espanhola (número de alunos, quantitativo de escolas, carga horária semanal e modalidade de oferta) e ao perfil do professor de espanhol (formação acadêmica, tempo de docência, carga horária de regência por semana tendo em vista níveis de ensino e ano), em comparação à pesquisa desenvolvida por Bergmann; Cesco (2014).

Em segundo lugar, poderemos desvelar, de forma mais intrínseca, aspectos relacionados à legislação vigente sobre o ensino de língua espanhola na Educação Básica. Em terceiro lugar, será possível estabelecer a forma como as mudanças na legislação acabam determinando a inserção e a retirada do espanhol dos currículos escolares, colaborando, ou não com o empoderamento dessa língua no mercado de trabalho. Em quarto lugar, a presente pesquisa permitirá reflexão, a partir do perfil estabelecido dos professores pesquisados, sobre a formação inicial e continuada de docentes de língua espanhola no contexto universitário. Por último, estudo integrado entre a Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA) e a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) possibilitará o fomento de políticas linguísticas voltadas ao ensino de espanhol, em regiões de proximidade geográfica a países de língua espanhola (Uruguai e Argentina), e em múnicípio de intensa circulação de turistas falantes dessa língua, como é o caso de Florianópolis.