Análise de discursos de resistências

Investigar os discursos de resistência é relevante para compreendermos de que modo o ritual ideológico falha, ou seja, o que acontece em termos discursivos para que o sujeito possa se “revoltar” no dizer de Michel Pêcheux (2009) e escapar da identificação ideológica plena, instaurando outras formas de determinação dos discursos e das subjetividades. Embasados na Análise de Discurso de vertente materialista, optamos por analisar os discursos de resistências, assim no plural, considerando tanto os discursos que rompem com a ideologia burguesa dominante como aqueles discursos que rompem com saberes legitimados pelas leis ou direitos universais como os Direitos Humanos. Dessa forma, serão objetos de análise tanto os discursos de resistência à opressão, quanto os discursos que legitimam as opressões às minorias como os discursos de ódio às mulheres, aos homossexuais, aos negros etc. Com o crescimento da disseminação da intolerância em nossa conjuntura social atualmente, é importante compreender o modo de funcionamento dessas resistências, de que forma esses discursos resistem e a que sentidos resistem? Que sentidos motivam e sustentam suas produções? É papel da escola fazer a reflexão crítica de forma ética, respeitando os direitos de liberdade de expressão, mas sem confundi-los com o direito de cometer violência (seja ela física ou psicológica). Mas que estratégias desenvolver para abordar esses discursos? Primeiro, passo é compreendê-los. Compreender como funciona a identificação e a produção e circulação dos discursos de resistência ou os de intolerância é fundamental para pensamos abordagens pedagógicas e políticas de respeito às diferenças de forma que possa atingir esses sujeitos de modo eficaz, interpelando-os, e não causando mais revolta e rejeição.