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II Reunião do CEDER: Fome, escolhas políticas e medidas de combate

Na última quinta-feira, 18 de agosto, ocorreu a segunda reunião do Círculo de Estudo em Desenvolvimento e Ruralidade. A atividade aconteceu no formato híbrido, presencialmente na sala de reuniões da Unipampa, campus Santana do Livramento e remota via Google Meet. O encontro iniciou às 14h10min e se estendeu até às 16h20min contou com a presença de 22 integrantes, sendo 8 de forma presencial e 14 via Google Meet.

Na ocasião havia pesquisadores de diversos cursos e áreas de atuação de Santana do Livramento, Uruguaiana, Santa Maria, Passo Fundo, Palmeira das Missões, Lajeado, Dom Pedrito e Ituiutaba/MG. Todos para prestigiar a discussão da linha de pesquisa Economia, Sociedade e Desigualdade, através do painel “Fome, escolhas políticas e medidas de combate”.

A discussão contou com as apresentações, a saber: a) Panorama geral sobre a fome no Brasil, realizada pela professora Drª Sibele Vasconcelos de Oliveira, da Universidade Federal de Santa Maria; b) As escolhas políticas e a fome no Brasil no século XXI, conduzida pela bacharela em Ciências Econômicas pela Unipampa, Patrícia Olegário Martins; e c) O que os órgãos de segurança alimentar têm planejado: ações locais e estaduais, com o relato da mestra em Administração pela Unipampa, Mitali Daian Alves Maciel.

Apesar do tema ser sensível e preocupante, as discussões embasadas em dados, resultados de pesquisas e referenciais teóricos gerou alento e motivou os pesquisadores na realização de novos estudos, mas também na busca de ações práticas e mais humanas. Ademais, como resultado da reunião, pontuou-se que a desigualdade, a fome e a pobreza são tríades estruturais da economia brasileira, contudo na primeira década dos anos 2000 houve significativos avanços nesses índices, que se converteu na saída do país do mapa da fome da Organização das Nações Unidas.

Devido a isso, torna-se imprescindível que os governantes olhem para o passado recente e se inspirem a melhorar a condição de vida da população brasileira, recorrendo a medidas efetivas, como promoção da renda, através da valorização do salário mínimo acima da inflação, geração de emprego, políticas públicas eficazes de combate à pobreza e à fome e fortalecimento dos Conselhos de Segurança Alimentar e Nutricional (COMSEAs), nas suas diversas esferas. Assim, numa sinergia de esforços das mais diversas frentes, pode-se projetar o país que queremos: justo, solidário e próspero, mas cuidar do hoje é prioritário e urgente.

A FOME VOLTOU, MEDIDAS JÁ!

CEDER na VIII CESSANS-RS – A fome voltou, medidas já!

Por Mitali Maciel

Fachada da Assembleia Legislativa de Porto Alegre.

 

O Círculo de Estudos em Desenvolvimento e Ruralidades participou da 8ª Conferência de Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável do Rio Grande do Sul (VIII CESSANS-RS), representado pela integrante do CEDER Mitali Maciel, nos dia 27 e 28 de julho na cidade de Porto Alegre. A pesquisadora participou como delegada com direito a voto, sendo uma das representantes da sociedade civil do município de Santana do Livramento.

A Conferência é um espaço plural que visa ouvir as demandas da população e decidir sobre os rumos necessários para garantir condições mínimas de acesso à alimentação digna e saudável ao povo gaúcho. Na ocasião, houve a articulação, debate e apresentação de diretrizes para as políticas de governo a serem implementadas nos anos seguintes, pelo poder público, encaminhadas via Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional do Rio Grande do Sul (CONSEA-RS) para o governo do estado.

Nos dois dias de Conferência foram compostas mesas de debates as quais versaram sobre as causas, consequências e soluções para a fome, consistindo em um debate urgente e necessário. Pragmaticamente, foram expostos dados atuais e
alarmantes sobre a situação de fome e insegurança alimentar no estado e no país, além da discussão de meios exequíveis para combater a fome, contando com a participação e representação de diversos agentes que têm atuado no tema.

Mesa de debates.

No dia 28 de julho, o presidente do Instituto Fome Zero, prof. Dr. José Graziano da Silva, participou da mesa de debate sobre as consequências da fome na sociedade brasileira, trazendo reflexões importantes sobre o modo de produção agrícola brasileiro, a desigualdade social e os efeitos da concentração de renda para a população, bem como discutiu sobre a ausência de políticas públicas efetivas de combate à fome e à pobreza, atualmente, no Brasil.

Posteriormente, foram articulados e separados grupos de trabalhos por eixos temáticos que trabalharam nos seguintes temas, a saber: i) Produção, abastecimento e acesso aos alimentos; ii) Educação alimentar e qualidade dos alimentos; iii) Políticas públicas de segurança alimentar e nutricional; e iv) Sistema de Segurança Alimentar e Nutricional (SISAN).

Em um momento seguinte, foram apresentadas ao grande público as diretrizes emergidas em cada eixo temático para a aprovação de moções e demais documentos. Assim, foram reunidas pautas específicas, pontuais e estratégicas que se refletem em ações efetivas para que os gestores possam adotar no enfrentamento dos problemas diagnosticados, as quais foram entregues ao governador do estado.

Portanto, como o sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, já dizia “quem tem fome, tem pressa!”.

CEDER NO G1- Brasil volta ao mapa da fome!

 

Brasil, o país da desigualdade, volta ao Mapa da Fome!

O Brasil é o 7º país mais desigual do mundo, o 1% mais rico concentra 48% de toda a riqueza nacional, enquanto 50% da população possui cerca de 3% de toda a riqueza do país (ALBUQUERQUE; RIBEIRO, 2020).

O índice de Gini entre 2019 a 2021, elevou-se significativamente ficando acima de toda série histórica pré-pandemia. O valor encontrado em 2021, de 0,641, bateu recorde com o maior grau de desigualdade já registrado. Isso tudo, em meio a um contexto em que a economia do país já se encontrava em uma situação crítica, essencialmente, no que se refere ao desemprego (FERREIRA et al., 2021).

Bilhões de pessoas já viviam no limite quando a pandemia começou, elas não tinham nenhum recurso ou apoio para enfrentar a problemática econômica e social. A pandemia expôs o fato de que a maioria das pessoas no mundo vive com algo entre US$2 e US$10 por dia (ALBUQUERQUE; RIBEIRO, 2020; OXFAM, 2021).

Tal situação desencadeia no empobrecimento da população e na sua faceta mais dura, a insegurança alimentar – não saber se terá comida na próxima refeição e na insegurança alimentar grave, a fome.

A insegurança alimentar grave aumentou em 3,9 milhões de pessoas entre 2019 a 2021, quando comparada ao período de 2014 a 2016. De 2020 para 2021 são 14 milhões de novos brasileiros que passaram a conviver com a fome (Rede PENSSAN (2022), conforme é possível verificar na tabela a seguir. A situação coloca o Brasil novamente no Mapa da Fome, voltando ao patamar de 2004.

 

Considerando o contexto exposto, pesquisadores do CEDER têm estudado, debatido interna e externamente sobre estas mazelas sociais. Nesse sentido, nesta última terça-feira (12/07) a professora Alessandra Troian, proferiu uma palestra com o título “Fome: origem, desafios e perspectivas”, no VI Conferência Municipal de Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional de Santana do Livramento/RS, com o tema A FOME VOLTOU, MEDIDAS JÁ!.

No mesmo evento a mestre em Administração Mitali Maciel coordenou o Eixo Temático I: produção, abastecimento e acesso aos alimentos onde foram discutidas ações para a redução da fome no município. A qual será ampliada e discutida em âmbito estadual no final deste  mês, a fim de resultar em medidas concretas e efetivas de combate à fome e à insegurança alimentar no Rio Grande do Sul. A pesquisadora participará como delegada, com direito a voto, representando a sociedade civil do município. E, na última quarta-feira (14/07), a professora Sibele Vasconcelos de Oliveira esteve ao vivo no G1 da RBS abordando alternativas para acabar com a desigualdade social. Link da reportagem na íntegra na bio. (https://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/video/ja-reporter-discute-as-alternativas-para-minimizar-a-desigualdade-social-10758431.ghtml).

 

Referências

ALBUQUERQUE, M.V; RIBEIRO, L. H. L. Desigualdade, situação geográfica e sentidos da ação na pandemia d COVID-19 no Brasil. Cadernos de Saúde Pública, n. 36, v. 12, 2020. FERREIRA, N. et al. Formas para a diminuição da miséria no Brasil. Revista Projetos Extensionistas, v. 1, n. 2, 2021.

REDE PENSSAN. Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional. Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no contexto da pandemia da COVID-19 no Brasil, 2021. Disponível em: http://olheparaafome.com.br /VIGISAN_Inseguranca_alimentar.pdf. Acesso em: 27 jan. 2022.

 

REDE PENSSAN. Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional. 2º Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil, 2022. Disponível em: https://pesquisassan.net.br/2oinquerito-nacional-sobre-inseguranca-alimentar-no-contexto-da-pandemia-da-covid-19-nobrasil/. Acesso em: 08 jun. 2022.

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