Teorias que justificam o projeto

A reforma educacional proposta a partir de parâmetros e orientações curriculares (Brasil, 1998; 2000; 2002; 2006) sugere uma reestruturação dos programas escolares. Ela prevê que a organização do processo de ensino e de aprendizagem ocorra a partir da contextualização e da interdisciplinaridade, ao mesmo tempo em que sejam desenvolvidas competências e habilidades próprias para uma formação cidadã, com vistas ao mundo do trabalho. Especialmente no contexto das orientações para o Ensino Médio (Brasil, 2002; 2006), a interdisciplinaridade e a contextualização são apresentadas como eixos integradores do currículo.
A escola também não pode ignorar que as TIC transformam não só as maneiras de comunicar, mas também de trabalhar, de decidir e de pensar. Perrenoud (2000) sugere

[…] que formar um aluno para as novas tecnologias é formar o julgamento, o
senso crítico, o pensamento hipotético e dedutivo, as faculdades de observação e de pesquisa, a imaginação, a capacidade de memorizar e classificar, a leitura e a análise de textos e de imagens, a representação de redes, de procedimentos e de estratégias de comunicação. ( p. 126).

Cada vez mais a competência dos professores consiste em utilizar os instrumentos multimídias disponíveis, do simples DVD a animações ou simulações mais sofisticadas. Essa cultura tecnológica é necessária para pensar as relações entre a evolução da tecnologia, as competências intelectuais e a relação com o saber que a escola pretende formar. As tecnologias digitais e virtuais podem reforçar a contribuição dos trabalhos pedagógicos e didáticos, pois permitem que sejam criadas situações de aprendizagem complexas, diversificadas e contextualizadas.
A reestruturação do processo de ensino e aprendizagem perpassa questões curriculares e metodológicas, configurando um desafio para os professores atuantes na Educação Básica. A implementação dessas orientações e proposições nas escolas exige uma nova postura dos professores diante do objeto do conhecimento (conteúdo escolar) e do sujeito do conhecimento (estudante). A escola é colocada como responsável por uma educação voltada para a formação integral do sujeito, promovendo espaços para a abordagem de questões contextuais e controversas, com vistas à transformação da realidade. Ou seja, o conhecimento sistematizado historicamente – a ser trabalhado na escola – representa um instrumento para a compreensão e intervenção no mundo.

As novas tarefas atribuídas à escola e a dinâmica por elas geradas impõem a revisão da formação docente em vigor na perspectiva de fortalecer ou instaurar processos de mudança no interior das instituições formadoras, respondendo às novas tarefas e aos desafios apontados, que incluem o desenvolvimento de disposição para atualização constante de modo a inteirar e dos avanços do conhecimento nas diversas áreas, incorporando-os, bem
como aprofundar a compreensão da complexidade do ato educativo em sua relação com a sociedade. (Brasil, 2001, p 10-11).

Projetos da natureza do LIFE-UNIPAMPA tem, portanto, papel fundamental na formação de profissionais da educação melhor preparados para enfrentar os desafios da educação básica na contemporaneidade.