VIII Encontro de Qualidade de Vida da Unipampa debate protagonismo feminino e enfrentamento à violência

Evento promovido pela Progepe reuniu servidoras para discutir direitos, liderança e políticas institucionais

Por Emanuelle Tronco Bueno

A Universidade Federal do Pampa (Unipampa), por meio da Divisão de Atenção à Saúde e Segurança do Trabalho (DASST)ligada à Pró-Reitoria de Gestão de Pessoas (Progepe), realizou, na última quinta-feira, 16, o VIII Encontro de Qualidade de Vida da Unipampa, com o tema “Mulheres, Empoderamento e Protagonismo”. O evento ocorreu de forma on-line, com transmissão pelo canal da Progepe no YouTube, e reuniu como palestrantes a vice-reitora Francéli Brizolla, as psicólogas Camila Perez e Mayra Osório e a chefe da Divisão de Ações Afirmativas, Elimara Gonçalves.

A edição abordou temas centrais relacionados à pauta de gênero, como as diferentes formas de violência vivenciadas pelas mulheres e a importância da presença feminina em espaços de decisão na Universidade. Segundo a organização, o objetivo foi analisar o cenário atual da violência contra as mulheres e discutir estratégias institucionais voltadas à proteção, à promoção de direitos e à ampliação de oportunidades.

Durante sua participação, a vice-reitora Francéli Brizolla ressaltou o papel institucional no debate e na construção de políticas internas. Segundo ela, é fundamental que a Universidade não se abstenha de discutir temas complexos. Nesse sentido, reforçou que “não ter tabu ou preconceito para tratar dessas questões é essencial, mesmo quando não há soluções imediatas, pois isso não nos impede de refletir e nos posicionar”.

Mulheres na gestão: avanços e desafios

Ao abordar a presença feminina na gestão universitária, Francéli Brizolla destacou avanços e desafios no cenário institucional e nacional. Segundo a vice-reitora, a Unipampa apresenta um quadro próximo da paridade entre homens e mulheres no corpo de servidores e também nos cargos de gestão, com leve predominância masculina. Os dados indicam que 62 mulheres ocupam funções de direção e funções gratificadas na Universidade.

Ainda assim, Francéli ressaltou que a realidade das universidades federais brasileiras evidencia a permanência de disparidades. Atualmente, entre as 69 instituições federais, há 31 reitoras e 43 vice-reitoras, número que, embora em crescimento, ainda é considerado reduzido em termos de representatividade. A gestora também destacou que a baixa presença feminina nos espaços de decisão está relacionada a fatores estruturais, como desigualdades sociais, racismo e violência de gênero.

Nesse contexto, a vice-reitora enfatizou a importância da representatividade como instrumento de transformação institucional. “Mais do que ser a primeira, é fundamental abrir caminhos para que outras mulheres também ocupem esses espaços”, afirmou, ao mencionar reflexão da escritora Conceição Evaristo.

O evento também contou com cerimonial inclusivo, com recursos de audiodescrição e tradução em Língua Brasileira de Sinais (Libras). Os participantes que registraram presença durante a transmissão receberão certificado.

Evento promovido pela Progepe reuniu servidoras para discutir direitos, liderança e políticas institucionais (Imagem do evento oEvento promovido pela Progepe reuniu servidoras para discutir direitos, liderança e políticas institucionais (Imagem do evento on-line)