
Por Tamíris Centeno Pereira da Rosa
A Universidade Federal do Pampa (Unipampa) está à frente de um projeto voltado à organização, documentação e preservação do acervo pessoal e profissional da professora Petronilha Beatriz Gonçalves e Silva, com o objetivo de criar, em Porto Alegre (RS), o Museu Casa Petronilha. A iniciativa começou a ser desenvolvida em 2025 e reúne instituições de ensino e pesquisa do Rio Grande do Sul e de São Paulo.
Viabilizado com recursos do Ministério da Educação (MEC), por meio da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização de Jovens e Adultos, Diversidade e Inclusão (Secadi), o projeto conta com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa e Extensão Universitária (Fapeu), responsável pelo suporte técnico, administrativo e financeiro da execução dos recursos públicos.
Segundo a coordenadora do projeto, a professora Marta Íris Camargo Messias da Silveira, a participação da Fundação é estratégica para o desenvolvimento das ações previstas. “A participação da Fapeu é fundamental tendo em vista a expertise da Fundação na execução financeira, técnica e administrativa do recurso público da Secadi-MEC”, destaca.
Referência nacional na educação e nos estudos das relações étnico-raciais, Petronilha nasceu em 1942, na antiga Colônia Africana, atual Bairro Rio Branco, em Porto Alegre. Em 2002, tornou-se a primeira mulher negra a integrar o Conselho Nacional de Educação (CNE), trajetória marcada pela atuação em defesa da educação antirracista e da valorização da cultura afro-brasileira.
Entre os reconhecimentos recebidos, em 2024 a professora foi homenageada pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) com o título de Doutora Honoris Causa. Já em 2025, o MEC instituiu o Selo Petronilha Beatriz Gonçalves e Silva, iniciativa destinada a reconhecer secretarias de educação comprometidas com a implementação da legislação que torna obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileira e indígena nas escolas brasileiras.
Além da Unipampa, o projeto reúne a Universidade Federal do Rio Grande do Sul, a Universidade Federal de São Carlos, o Instituto Federal do Rio Grande do Sul e a Unesco. As atividades acontecem no Rio Grande do Sul e em São Paulo, locais onde estão os imóveis que abrigam os acervos da professora e a futura sede do museu.
A proposta surgiu em 2020, quando Petronilha encaminhou à Unipampa um pedido para a construção de parcerias que possibilitassem a organização de seu acervo pessoal e profissional. De acordo com Marta Silveira, a escolha da Universidade ocorreu em razão da atuação de professoras negras da instituição na gestão e consolidação de museus no Rio Grande do Sul.
“O Projeto Museu Casa Petronilha está diretamente alinhado aos eixos 3, 6 e 7 da Política Nacional de Equidade, Educação para as Relações Étnico-Raciais e Educação Escolar Quilombola (PNEERQ), promovendo a formação de profissionais da educação, a valorização das trajetórias negras e quilombolas e a difusão de saberes”, ressalta a coordenadora.
Também integram a equipe do projeto as professoras Giane Vargas, Dandara Fidelis Escoto, Deyze dos Anjos e Ana Cristina Juvenal da Cruz.
O lançamento oficial do projeto ocorreu entre os dias 21 e 24 de julho de 2025, em Porto Alegre, com uma programação de visitas técnicas e institucionais. As atividades incluíram agendas no Memorial da Associação Satélite Prontidão, no IFRS, na UFRGS, no Quilombo do Areal da Baronesa e no Ministério Público do Rio Grande do Sul.
Durante uma das atividades realizadas na UFRGS, a professora Petronilha compartilhou memórias de sua trajetória acadêmica e destacou a importância da criação do Museu Casa. O encontro contou com a presença de representantes do MEC, do IFRS, da UFRGS e da vice-reitora da Unipampa, Francéli Brizolla.
A equipe do projeto também realizou atividades de escuta e levantamento inicial na residência que sediará o museu, no Bairro Rio Branco, em Porto Alegre. Segundo a coordenação, o momento permitiu acessar memórias individuais e coletivas relacionadas à antiga Colônia Africana e iniciar o diagnóstico técnico das ações que serão desenvolvidas em cada área do projeto.
Foto: Marcos Santos / USP Imagens
Fonte: Notícia Portal da Unipampa









