Apresentação da 5ª Edição

      A 5ª Edição do Jornal Interdisciplinar em C&T vem a público com um novo nome. Agora se chama CiênciaAção: Observatório Interdisciplinar de Divulgação Científica e Cultural. Tem os mesmos ideais que nos motivaram a construção deste projeto. Somos um grupo de docentes, discentes e técnicos da UNIPAMPA e de colaboradores externos que criam, produzem, reproduzem e distribuem conteúdos relacionados à ciência, à tecnologia, à arte e à cultura. A missão é de informar, entreter e promover a qualificação da leitura e da escrita no contexto universitário com fins de popularização da ciência e artes. Queremos, cada vez mais, construir um ambiente em que todas as áreas de conhecimento dialogam e se complementam em prol do progresso social, científico e cultural. Nesta edição, apresentamos três seções novas: (i) Observatório de Divulgação Científica, (ii) Convite a Leituras e (iii) Artes e Culturas.

    A seção Observatório de Divulgação Científica tem como objetivo divulgar projetos de pesquisa, ensino e extensão desenvolvidos na UNIPAMPA. É inaugurada popularizando as ações desenvolvidas nos projetos: Poema Falado, coordenado por Lana C. Almeida, que promove literatura e artes, no geral, em ambiente virtual; Ambulatório de Nutrição da UNIPAMPA, liderado por Karina D’Almeida, cujo propósito é a prevenção ou melhoria da qualidade de vida das pessoas via ações tangentes à alimentação; e PIBID Matemática, projeto conjunto de iniciação à docência dos campi de Bagé e Itaqui da UNIPAMPA, que oportuniza aos alunos vivenciar rotinas nas escolas e organizar eventos de divulgação do curso e de aplicação dos conhecimentos matemáticos no dia a dia.

   Em Convite a Leituras, Fabiane Almeida Mendes, apresenta o livro Gosto de Amora, que reúne contos de Mário Medeiros. Os contos narram momentos de vida de personagens negros, homens jovens e adultos, na cidade grande. De tais situações surgem desafios pessoais e profissionais, que abordam diversos temas, quando se mostram fortes personalidades. Outro convite é feito por Walker Douglas Pincerati e Cristina dos Santos Lovato à leitura de O Discurso Político em Sociedades Pós-Digitais (2020), artigo do linguista belga Jan Bloomaert, que propõe os termos e as condições para a análise de discursos políticos na era pós-digital.

   A seção Artes e Culturas traz uma foto de Niel Nié, fotografo e discente do curso de Bacharelado em Produção e Política Cultural da UNIPAMPA Jaguarão; foto essa tirada em Jaguarão e que é acompanhada de um “texto” que diz algo sobre a imagem.

   As demais seções continuam as mesmas. Nesta 5ª edição contamos, então, com a colaboração de Jonas A. S. das Neves que nos mostra como há ideias que precisam de um tempo de amadurecimento. O caso de CiênciAção – Observatório Interdisciplinar de Divulgação Científica e Cultural pode ser acompanhado no relato Jornal do BIC&T: um breve histórico, em Reportagens. Assim, ideias originadas em sala de aula, visando integrar alunos e docentes, avançam até propiciar exercícios de produção de textos e a descoberta de tecnologias para divulgação dos mesmos fora do ambiente acadêmico.

   Na seção Alun@ destaque, contamos com o texto da egressa do curso de Bacharelado Interdisciplinar em Ciência e Tecnologia da UNIPAMPA Itaqui, Vanessa Salaibe, que relata sobre a sua experiência acadêmica no curso e a produção de seu Trabalho final de Graduação que geraram dois artigos científicos. A acadêmica do curso de Bacharelado Interdisciplinar em Ciência e Tecnologia, Carla Lisiane Ibaldi Carabajal, está na seção Meu trabalho Nota 10, e conta sobre o desenvolvimento de trabalhos acadêmicos sobre a importância das abelhas melíponas. O Professor Vinicius Dalbianco foi o eleito para esta edição como Professor Nota 10 para contar como se deu a construção da sua carreia acadêmica e profissional. Por fim, contamos com a colaboração de Eduardo Silva, com o Artigo de Opinião Fake news e coronavírus: o pânico que não vem da imprensa, um texto que discorre sobre o compartilhamento de notícias falsas.

Desejamos uma excelente leitura a todxs!

Cristina dos Santos Lovato, Silvia Maria Puentes Bentancourt e Walker Douglas Pincerati.

Versão do texto de apresentação em *.pdf: clique aqui.

Versão completa da 5a. Edição em *pdf: clique aqui

Área de preservação de abelhas melíponas – GEAMI

Carla Lisiane Ibaldi Carabajal, acadêmica do curso de Bacharelado Interdisciplinar em Ciência e Tecnologia da UNIPAMPA, campus Itaqui.

       A preservação de espécies botânicas nativas consideradas pasto melífero e a preservação de colônias de abelhas sem ferrão (Melipona sp.) são fundamentais para manutenção do ecossistema Pampa. E, entendendo que, essas abelhas são consideradas indicadores de um ecossistema em equilíbrio, existe uma necessidade acadêmica de estudos na área de plantas que possam ser utilizadas por elas. Nesse sentido, foi observada a necessidade da organização de uma área de preservação dentro da Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA) – Campus Itaqui/RS –, sendo a mesma construída e mantida pelo Grupo de Estudos em Apicultura e Meliponicultura de Itaqui (GEAMI). O espaço pode ser utilizado por diferentes componentes curriculares, dentre as quais: Morfologia Vegetal, Botânica Sistemática, Entomologia Geral, Entomologia Agrícola, Ciência do Ambiente, Ecologia e Seminário Integrador em ciência e tecnologia.

            O objetivo foi construir, manter e utilizar a área de preservação para fins pedagógicos e para a compreensão e conscientização da comunidade interna e externa da UNIPAMPA com relação à importância das abelhas para a sustentabilidade do ecossistema. Metodologicamente os componentes do grupo criaram o cercado para fins de estudo, pesquisa e extensão. Para isso, foram utilizadas sobras de pallets encontrados no campus, materiais e ferramentas de propriedade dos discentes para a construção do cercado e plantio das mudas de diferentes plantas. Assim, o grupo GEAMI disponibilizou o uso do local para o Curso de Extensão: “Boas práticas na produção de mel”, quando ocorreu a visita de apicultores e discentes, e para o componente curricular “Seminário Integrador  em Ciência e Tecnologia”, com a participação de discentes do Curso Bacharelado Interdisciplinar em Ciência e Tecnologia, quando foi apresentado o projeto e debatido sobre a importância das abelhas melíponas e as plantas que são utilizadas como pasto apícola.

          A apresentação e conversa realizada nos dois encontros relatados despertou o interesse nas espécies de abelhas sem ferrão e nos estudos desenvolvidos pelo GEAMI. Os discentes sugeriram que sejam instaladas caixas de criação racional de abelhas melíponas no cercado, com o intuito de desenvolver pesquisas sobre as espécies e elaborar produtos comerciais como alimentos, fármacos e cosméticos. E a partir do cultivo das plantas investigar suas funções fitoterápicas, ressaltando sua importância para o nosso ecossistema, envolvendo a prática interdisciplinar. Portanto, o ambiente organizado pelo GEAMI contribuiu até o presente momento para o desenvolvimento de ações interdisciplinares e demonstrou ser de suma importância para os apicultores e comunidade, permitindo a realização de eventos de extensão e de estudos com relação a apicultura. Trata-se de uma ferramenta pedagógica importante, pois possibilita a interação entre o ensino, pesquisa e extensão.

               Este trabalho foi inspirado no grupo GEAMI e na educação ambiental com o intuito de inovar metodologias, acredito ainda que este estudo servirá de referência para muitos outro, o verdadeiro motivo desse trabalho existir é para implementar formas sustentáveis nas universidades e no âmbito escolar. Nesse sentido, o intuito desses cercados para abelhas sem ferrão é promover um espaço ecológico. O mel dessas abelhas está ganhando espaço no mercado por ser mais apetitoso e ter uma cor e aroma diferenciados. Por fim, consegui concluir meu trabalho sugerindo que uma educação ambiental inseida na agroecologia é possível.

                 Faço os seguintes agradecimentos aos que me ajudaram de alguma forma para esse trabalho acontecer Paulo Fernando Alves Maurer, Samuel Machado Abreu, Francisco Silveira Motta, Kalita Maieski Leal Fresingheli,  Luciana Zago Ethur, Paulo Roberto Cardoso da Silveira

A versão do texto em *.pdf: clique aqui.

Fake News e Coronavírus: o pânico que não vem da imprensa

   Eduardo Silva, Bacharel em Comunicação Social – Habilitação Jornalismo –, pelo campus da UNIPAMPA São Borja e pós-graduando em Desenvolvimento Regional e Territorial pela UNIPAMPA Itaqui

       Sete em cada dez brasileiros acreditam em Fake news sobre o coronavírus. É o que aponta uma pesquisa da Avaaz divulgada em maio. Segundo o estudo, 60% dos internautas receberam notícias falsas pelo WhatsApp. No Facebook, o número chegou a 50%.

       A pesquisa também foi realizada nos Estados Unidos e na Itália, mas ninguém nos venceu em matéria de Fake news sobre a covid-19. E não são os jornalistas que estão produzindo esse conteúdo. Os números são uma amostra do tamanho do desafio da imprensa no País.

     Informações falsas – que nem notícias são – corroem o debate público faz tempo. No entanto, a velocidade das redes sociais e da ignorância faz com que a disseminação de mentiras se propague quase tão rápido quanto o vírus.

       Do presidente da República ao “tiozão do Whats”, a imprensa é diariamente questionada e acusada de estar alarmando e gerando pânico na população em função da cobertura sobre a pandemia. E essa acusação também é uma Fake news.

   Já que o Ministério da Saúde não divulgou até o momento nenhuma campanha institucional de esclarecimento sobre o coronavírus, coube ao jornalismo brasileiro informar e orientar a população sobre a importância de procedimentos como o distanciamento social, a higiene das mãos e o uso de máscaras. A imprensa – baseada em fontes como a Organização Mundial da Saúde – divulga informações que estão reduzindo o estrago causado pela covid-19.

       Assim como profissionais da saúde e da segurança, repórteres estão na linha de frente do combate ao coronavírus. O alarme e o pânico estão vindo de outro lugar. Em um misto de preguiça e má-fé, notícias verdadeiras acabam virando fake news quando publicadas fora de contexto.

       Foi o caso da farsa dos caixões vazios de Manuas e São Paulo. A reportagem original era verdadeira. Porém, as fotos eram de 2015 e 2018, pré-pandemia. Lida só pela manchete, a matéria virou fake.

     Mas há, também, mentiras, ponto. Em Itaqui, um áudio circulou pelo WhatsApp afirmando que o hospital da cidade estava “entrando em surto”, com pacientes infectados andando pelos corredores.

       A direção da instituição precisou vir a público para rechaçar a acusação e comunicar que encaminharia a gravação ao Ministério Público e à Polícia. Embora não houvesse evidências que comprovassem o que foi dito no áudio, as informações falsas geraram alarme e pânico na cidade. O áudio não foi nem gravado e nem compartilhado pela imprensa.

       Não compartilhe informações duvidosas, leia a notícia até o final, confira a data, confie no jornalismo tradicional e tenha certeza: vamos vencer.

A versão do texto em *.pdf: clique aqui.

Vinicius Piccin Dalbianco, Professor Nota 10

   Fui escolhido pelos estudantes do BICT como um dos professores “Nota 10” do curso, resultado da pesquisa realizada pelo CiênciAção: Observatório Interdisciplinar de Divulgação Científica e Cultural. Por esse motivo, os editores e editoras me convidaram para relatar um pouco da minha trajetória pessoal, acadêmica e profissional, de modo a compartilhar com todos vocês aprendizagens que tive ao longo desse tempo.

   Pois bem, vou relatar um pouco do que já fiz e que considero importante para a ocasião. Sou Vinicius Piccin Dalbianco, Professor da Magistério Superior na Universidade Federal do Pampa – Campus Itaqui/RS. Compreendo que parte significativa do que sou hoje, enquanto docente, pesquisador e extensionista, é fruto do processo histórico de construção do conhecimento individual (como estudante, pesquisador e ator social) e coletivo (como integrante de um grupo social que constrói relações sociais). Por esses motivos, a trajetória de cada individuo é importante, pois entendo que não somos imunes às influências das relações sociais do percurso social que fizemos, seus valores, suas crenças e imersões nas relações de poderes assimétricos que constituem a sociedade. Desse modo, compreendo que a produção do conhecimento não é neutra, visto que mantém identidade com a historicidade e as relações traçadas pelo pesquisador.

   Sou filho de camponeses residentes no município de Jaboticaba, localizado no Médio Alto Uruguai do estado do Rio Grande do Sul (RS). Foi lá que aprendi muitos significados da vida social, embora fosse passar a entender muitos deles mais tarde. A vida “simples” (tendo como parâmetro o agito urbano e as condições objetivas de sobrevivência) foi recheada de muito amor. Aos 14 anos, sai de casa para cursar o ensino médio no Colégio Agrícola em Frederico Westphalen (que na época era vinculado a Universidade Federal de Santa Maria – UFSM). No ano de 2001, ingressei na UFSM no curso de Agronomia. Durante a graduação, atuei ativamente no movimento estudantil, principalmente, na Federação dos Estudantes de Agronomia do Brasil (FEAB), no Diretório Central dos Estudantes (DCE) e na organização dos Estágios Interdisciplinares de Vivência (EIVs). Durante os cursos de especialização em Residência Agrária e de mestrado em Extensão Rural, dediquei-me à pesquisa sobre o processo de construção da Assessoria Técnica, Social e Ambiental (ATES) aos assentamentos de Reforma Agrária no RS. A minha vinculação aos Projetos de extensão dos Articuladores e Assessores Técnicos Pedagógicos da ATES coordenado pela UFSM (2009 a 2010; 2012 até agora) colaborou para a compreensão da percepção social dos diferentes atores envolvidos com o desenvolvimento de assentamentos. Entre os anos de 2010 e 2012, trabalhei no Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) na condição de Coordenador do Programa de ATES RS. Em 2012, retornei à UFSM para fazer o curso de doutorado no Programa de Pós Graduação em Extensão Rural.

   Em fevereiro de 2015, ingressei na Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA), Campus Dom Pedrito, para a função de Professor do Magistério Superior com atuação prioritária no curso de Educação do Campo- Licenciatura. Minha função nesse curso se concentrou na problematização das temáticas dos Movimentos Sociais do Campo, da Agroecológica, do Desenvolvimento Rural e da ER, relacionadas à formação de educadores das Escolas do Campo. Nesse curso, minha atuação era mediada por um pano de fundo baseado pela compreensão de que não existe Escola do Campo sem campo com gente e que não é possível haver Educação do Campo sem Educador do Campo. A existência da Educação do Campo só tem sentido quando a escola do campo aborda os elementos constitutivos do território onde está inserida, valorizando o aprendizado que os educandos do campo trazem a partir das suas vivências.

   No ano de 2018, através de uma permuta docente vim para o Campus Itaqui. Atualmente, dou aula nos cursos de Bacharelado Interdisciplinar em Ciência e Tecnologia, Engenharia Cartográfica e de Agrimensura e Nutrição. Faço parte de dois grupos de pesquisa, coordeno três projetos e participo da equipe executora de mais quatro projetos, a saber:

Grupos de pesquisa:

  1. Educação do Campo: objetiva contribuir com o aprofundamento e a construção dos Fundamentos da Educação do Campo.
  1. Agricultura Familiar e Sustentabilidade Socioambiental: objetiva realizar pesquisas relativas à relação entre agricultura familiar e sustentabilidade socioambiental.

Projeto que coordeno:

  1. Abordando a interdisciplinaridade nas escolas: um estímulo para o acesso à Universidade: O projeto possui o objetivo de contribuir para ampliar o conhecimento da comunidade de Itaqui-RS sobre as práticas exercidas dentro da universidade com ênfase nas atividades de extensão.
  1. Assessoria Técnica Pedagógica ao Programa de ATES nos Projetos de Assentamentos do Rio Grande do Sul: objetiva contribuir para a qualificação do Programa de Assessoria Técnica, Social e Ambiental (ATES) ofertada aos Assentamentos de Reforma Agrária do Rio Grande do Sul.
  1. Universidade e Comunidade: do acesso à permanência: o projeto possui dois objetivos centrais: a) Contribuir para ampliar o conhecimento da comunidade de Itaqui RS sobre as práticas exercidas dentro da universidade; b) Objetiva também colaborar com o aprendizado na UNIPAMPA, através de atividades internas de extensão como minicursos, palestras, oficinas etc., com discentes e docentes.
  1. Projeto Intervozes: o projeto objetiva discutir com a comunidade universitária temas relevantes a formação universitária. Tem como protagonista a ação dos estudantes, principalmente do diretório acadêmico do Curso BICT.

Projetos que faço parte da equipe executora:

  1. Formação Continuada de Professores do Campo da Região da Campanha: o projeto tem por finalidade proporcionar a formação continuada de professores e professoras que atuam em escolas do campo.
  1. Leitura que Circula: visa ofertar empréstimos de livros pessoais, de propriedade particular, a interessados(as) de forma monitorada por sistema de dados, que será desenvolvido e controlado pela equipe executora do projeto.
  1. Programa de Formação Interdisciplinar: o projeto tem por objetivo promover debates sobre temas relacionados a formação interdisciplinar na Universidade.

Versão do texto em *.pdf: clique aqui.

Aluna destaque

   Olá! Me chamo Vanessa Salaibe, sou bacharela em Ciência e Tecnologia (BICT) pela Universidade Federal do Pampa, campus Itaqui-RS. Para o meu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), escolhi o tema violência contra a mulher porque penso que esse tipo de  violência é um fenômeno que ainda carece de estudos em função dos vários aspectos que constituem a sua base. Esse trabalho fez parte do projeto de pesquisa Análise do fenômeno da violência contra o corpo social feminino nos contextos sociocultural e histórico dos municípios de Itaqui e São Borja/RS (2018), coordenado pela Prof.ª Dr.ª Cristina dos Santos Lovato com a colaboração do Prof. Dr. Gabriel dos Santos Kheler.

   O título do meu TCC é Análise da Violência Contra a Mulher no Município de Itaqui-RS, e ele foi premiado como melhor trabalho na categoria pesquisa, na modalidade apresentação oral, da Mostra Científica no 10° Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão (SIEPE), em 2018. Além desse prêmio, produzi com a Prof.ª Cristina, orientadora do TCC, dois artigos. O primeiro, intitulado A dimensão sócio-histórica da violência contra a mulher, contou também com a participação do Prof. Gabriel. Esse artigo teve como objetivo discutir aspectos que abrangem a violência contra a mulher a partir de discursos que reproduzem e mantêm uma organização social fundamentada no patriarcado e seus elementos de sustentação; o artigo está sendo revisado para publicação.

   O segundo artigo, intitulado Perfis socioeconômico e sociocultural de vítimas e de agressores no contexto da violência contra a mulher, teve como objetivo identificar o perfil de agressores e de vítimas envolvidos em casos de violência de gênero, em especial, contra a mulher. Foram descritos dados referentes ao mapeamento dos números atuais da violência contra a mulher em uma das cidades da região da Fronteira Oeste do Estado do Rio Grande do Sul, em termos de denúncias registradas na Delegacia Civil, nos anos de 2017, 2018 e 2019. Os resultados desse estudo demostraram que os índices de violência são altos em relação à densidade populacional da cidade analisada e sugeriram que isso pode estar relacionado à baixa escolaridade da vítima e do agressor somada a aspectos de ordem cultural.

   Aos alunos do BICT, peço que acreditem em vocês e no curso que nos possibilita uma compreensão mais ampla da sociedade, dos fenômenos científicos, da ciência e da tecnologia. Todo sucesso depende de cada um, vocês são capazes!

Versão do texto em *.pdf: clique aqui.

Jornal do BIC&T: um breve histórico

por Jonas Anderson Simões das Neves

            A iniciativa que deu origem ao projeto então denominado “Jornal do BIC&T” surgiu em decorrência de atividades pedagógicas da componente curricular Português Instrumental, no segundo semestre letivo de 2014, com a turma do segundo semestre do período noturno do curso de Bacharelado Interdisciplinar em Ciência e Tecnologia da Unipampa (BIC&T) – Campus Itaqui. Enquanto exercício de produção textual, foi sugerido aos estudantes que construíssemos uma estrutura de jornal, a fim de trabalhar com os diferentes tipos de texto. Houve grande envolvimento de todos, que, além disso, propuseram que o material produzido fosse publicado, o que foi feito de maneira digital em redes sociais e de forma impressa no mural do curso.

            Anteriormente, alguns estudantes já haviam cogitado a possibilidade de construir um jornal para o BIC&T, como forma de divulgar e publicizar informações relevantes a eles, bem como para promover maior interação entre as turmas e os períodos, dado que o curso é ofertado nos períodos integral e noturno. Nesse primeiro momento, a ideia não havia sido levada adiante. Mas, uma levantada a proposta pedagógica na referida componente curricular, que pela primeira vez era ofertada no campus, a ideia do jornal foi então retomada por aquele mesmo grupo que a sugeriu. O grupo se juntou e providenciou as ferramentas necessárias para editoração do periódico.

            Após a publicação desta primeira edição do jornal, dez acadêmicos que tiveram maior envolvimento com a produção da mesma manifestaram interesse em manter a publicação enquanto projeto do curso, tanto por compreenderem a importância do veículo para interação e divulgação de informações, quanto para suprir uma carência de projetos voltados aos discentes do período noturno. Dessa forma, logo no primeiro semestre do ano seguinte, foi registrado e teve início o projeto intitulado “A linguagem enquanto instrumento de produção interdisciplinar do conhecimento: planejamento, produção e divulgação de um jornal eletrônico dos acadêmicos do BIC&T”.

            Esse projeto inicial teve duração de dois anos. Ao longo deles foram publicadas dez edições, com destaque à divulgação de trabalhos e pesquisas desenvolvidas por estudantes do campus; à participação de discentes em eventos externos; a entrevistas com docentes, pesquisadores e egressos do BIC&T; às informações referentes à rotina dos estudantes, tais como matrículas, aproveitamento de ACGs, calendário acadêmico, editais, etc; à divulgação de eventos acadêmicos, internos e externos; entre outros. Dentre o conteúdo produzido, destacavam-se, ainda, as charges produzidas. A partir da criação de três personagens representativas dos estudantes do campus, o “Academildo”, a “Nutrigirl” e o “Agroboy”, propunham reflexões críticas acerca da rotina dos estudantes, do campus, da instituição e da própria sociedade.

            Em termos da dinâmica de organização das atividades do projeto, eram realizadas reuniões de planejamento e elaboração de pauta aos sábados à tarde, para contemplar os estudantes do período noturno que trabalhavam durante o dia. Nelas eram organizadas equipes responsáveis pela produção dos diferentes conteúdos a serem publicados e pelas atividades de editoração e finalização dos materiais. Nesse momento inicial, o conteúdo do jornal foi produzido exclusivamente pelos acadêmicos envolvidos no projeto, cabendo ao docente responsável pelo projeto e a eventuais colaboradores externos apenas atividades de orientação, revisão e correção dos materiais e textos produzidos.

            Por seu caráter interdisciplinar, a proposta de construção do jornal dialogava muito bem com os objetivos de formação do curso e constituição do perfil do egresso, dado que articulava numa mesma iniciativa a dimensão humana da formação, pela produção textual e leitura crítica exigidas na construção do periódico; com a formação no âmbito das tecnologias digitais, dada pela utilização das ferramentas de editoração e divulgação do jornal; e tecnologias sociais, pela constituição de espaços alternativos e autônomos de produção de materiais por parte dos estudantes.

            Ao longo de seus dois anos iniciais de existência, o projeto foi contemplado duas vezes com bolsa do Projeto de Desenvolvimento Acadêmico (PDA) da Unipampa, na modalidade de ensino. Foram apresentados e publicados seis trabalhos em eventos acadêmicos e organizadas oficinas de produção textual e elaboração do jornal. Destaca-se, ainda, que o jornal chegou a ter algum alcance junto à comunidade de Itaqui quando passou a integrar as atividades do projeto “Universidade Itinerante”, no qual os projetos e cursos do Campus Itaqui eram levados e apresentados em escolas e durante eventos do município. Nessas atividades, estudantes envolvidos com o projeto apresentavam a iniciativa e distribuíam exemplares impressos do mesmo, divulgando ainda as possibilidades de acesso virtual ao periódico.

Após a publicação de sua 10ª Edição, em fevereiro de 2017, o projeto foi descontinuado. Muitos daqueles discentes que deram início ao projeto já estavam se formando. Outros que se incorporado à iniciativa não se envolviam nele como os demais. Os próprios docentes envolvidos assumiam outros projetos. Enfim, naquele momento a opção foi por uma pausa.

            Todavia, apesar de adormecida por um tempo, a iniciativa não se perdeu. Pelo contrário! Percebe-se que esse sono foi necessário para possibilitar que novos sonhos fossem sonhados. Ressurge e desperta agora com muito maior força e vitalidade. Estende-se aos demais campi da Universidade e transpõe suas próprias fronteiras para se consolidar como mais um importante veículo de produção e divulgação do conhecimento científico produzido pela Universidade.

Versão do texto em *pdf.: clique aqui.

Revisão de Walker Douglas Pincerati.

Projeto de Extensão do Ambulatório de Nutrição da UNIPAMPA- Campus de Itaqui

Por Graciéle Sousa.

   Iniciado no ano de 2014, o projeto está vinculado ao Curso de Nutrição da Universidade Federal do Pampa no Campus de Itaqui, sendo coordenado pela Nutricionista, Mestre e Doutora em Cardiologia e Ciências Cardiovasculares, Karina Sanchez Machado D’Almeida.

   O Ambulatório oferta atendimento de forma gratuita para comunidade itaquiense e região. O objetivo é a promoção da saúde com foco na prevenção e tratamento das doenças crônicas não transmissíveis como: hipertensão arterial (pressão alta), diabetes (glicose alta), ambas de alta incidência na população brasileira; consideradas relevante problema de saúde pública no Brasil. Essas doenças apresentam aspectos em comum, tais como a origem, os fatores de risco, as complicações e as formas de tratamento.

   Assume importância o atendimento especializado por profissionais da área de nutrição, pois essas enfermidades estão fortemente associadas ao estilo de vida, maus hábitos alimentares, sedentarismo, excesso de peso e o acúmulo de gordura abdominal – fatores esses que desencadeiam uma das principais causa das doenças: a obesidade. Os médicos relacionam a gordura abdominal com a síndrome metabólica. Essa síndrome é um conjunto que envolve hipertensão, excesso de triglicérides, baixo nível de colesterol bom, além do abdômen saliente. Nesse contexto, orientações sobre uma alimentação saudável é fundamental. Um cardápio variado e adequado para cada quadro clínico aumenta a imunidade e auxilia no controle de muitas patologias.

   Uma alimentação saudável e um planejamento dietoterápico específico se tornam um diferencial no tratamento dessas enfermidades e leva à melhora do quadro de pacientes que são encaminhados ao atendimento dos docentes e estudantes de nutrição. As patologias devem ser acompanhadas por uma dieta diferenciada, visando e respeitando as necessidades nutricionais de cada paciente.

   Com o intuito de promover a saúde e de prevenir doenças a partir da ciência da nutrição, este projeto foi constituído, disponibilizando informações por profissionais qualificados. Segundo Karina D’Almeida, a coordenadora do projeto, este espaço, além de prestar um retorno à comunidade, atuando diretamente na saúde e no bem-estar de seus usuários, também permite que os acadêmicos do Curso desenvolvam o aspecto humanístico e comunitário, os quais são de suma importância para futuros profissionais da área da saúde”. A participação da ação extensionista possibilita uma qualificação do processo de formação ao desenvolver a capacidade de relacionamento profissional-paciente.

   O desenvolvimento deste projeto, inicialmente realizado junto ao hospital São Patrício, atualmente promove os atendimentos na unidade de saúde central junto à Secretaria de Saúde do município. Durante o ano de 2014, foram realizados cerca de 300 atendimentos ambulatoriais, beneficiando 137 pessoas; em 2015 foram 153 primeiras consultas e 292 atendimentos de retorno. Em 2016 e 2017 foram realizados, respectivamente, 313 e 371 atendimentos. Em 2018 foram 124 atendimentos entre janeiro e maio, ao passo que em 2019, em torno de 250 atendimentos foram realizados.

   O projeto efetiva a divulgação pelas rádios locais, visando dar conhecimento do serviço disponibilizado e explicitar conceitos importantes sobre a importância de orientação adequada sobre a alimentação.

Maiores informações, consulte o instagram: @ambulatoriadenutricao.

Para saber mais, pode-se consultar:

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Estratégias para o cuidado da pessoa com doença crônica: obesidade. Cadernos de Atenção Básica 38, 2014. Disponível em: http://189.28.128.100/dab/docs/portaldab/publicacoes/caderno_38.pdf

MARIATH et al.. Obesidade e fatores de risco para o desenvolvimento de doenças crônicas não transmissíveis entre usuários de unidade de alimentação e nutrição. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, v.23 (4), p.897-905, abr. 2007. Disponível em: https://www.scielosp.org/pdf/csp/2007.v23n4/897-905/pt

SARTORELLI, Daniela Saes; FRANCO, Laércio Joel. Tendências do diabetes mellitus no Brasil: o papel da transição nutricional. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, v.19, supl.1, p.S29-S36, 2003. Disponível em https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-311X2003000700004&lng=pt&tlng=pt.

Reportagem de Graciéle Sousa, estudante do Bacharelado Interdisciplinar em Ciência e Tecnologia e membro do Projeto de leitura e escrita: Jornal Interdisciplinar em Ciência e Tecnologia.

Versão do texto em *.pdf.: clique aqui.

Revisão de Walker Douglas Pincerati.

Projeto Poema Falado @poema_falado

   O Poema Falado é um projeto de acolhimento digital vinculado à Pró-Reitoria de Graduação da Unipampa, que tem como público-alvo a comunidade acadêmica do campus Itaqui, especialmente o corpo discente. A intenção principal do projeto é incentivar a leitura e contemplação da poesia, de forma a contribuir para a aquisição de habilidades comunicativas e de interpretação de texto, além de estimular o discente à ampliação de sua visão de mundo. Almeja-se fortalecer, de maneira lúdica, o vínculo de todos com a universidade. A interação do projeto com a comunidade ocorre através da rede social Instagram®, com o perfil @poema_falado, que já está entrando em sua oitava semana de atividades.

——————————————————————————————————-

   Pandemia, distanciamento social, suspensão de aulas. Dificuldades financeiras para alguns, conflitos familiares – exacerbados pela forçada convivência – para outros. A composição dos cenários possíveis é tão complexa quanto a situação que se impõe. E o seu enfrentamento tem incluído, mundo afora, a busca de alívio através da arte em suas mais variadas formas. “Temos a arte para não morrer da verdade”, já havia refletido o filósofo alemão Friedrich Nietzsche. Desde a música compartilhada entre vizinhos de suas janelas e varandas até os grandes museus que, agora fechados, oferecem tour virtual pelo seu espaço físico, o que se nota mundialmente é uma clara percepção, já observada em muitos momentos antes na História, da importância da arte em momentos de ruptura com a “normalidade”. Diante da insegurança e perplexidade ante à nova realidade, a arte se apresenta como algo que conecta, devolve a sensação de pertencimento abalada pelo distanciamento social e pode ser uma companhia amiga. Nesse sentido, o projeto Poema Falado se coloca como um ambiente virtual de compartilhamento e interação em torno da poesia, na pretensão de emanar um pouco de conforto e beleza nestes dias confusos.

   Toda semana, movida por um tema, a equipe do Poema Falado se reúne virtualmente para conversar sobre dois poemas previamente selecionados. Nesses encontros, conhece-se melhor cada autor, principais temas de sua obra e curiosidades sobre sua vida, além de se discutir a compreensão dos poemas, relacionando-os com outras obras, músicas e/ou filmes com os quais apresentem intertextualidade. Esses dois poemas são então recitados por discentes da equipe, em vídeos que são postados às segundas e quintas-feiras no Instagram®. Outras atribuições dos estudantes da equipe incluem, semanalmente, a busca de versos e imagens sobre o tema da semana, além da edição dos vídeos.

   Cada semana inicia com a postagem de um texto, escrito por Ariel Melo, que é assistente social e colaborador do projeto. São textos reflexivos, que visam a provocar o leitor sobre o tema escolhido para o período:

   “A quarentena trouxe para o debate questões importantes… dentre tantas recomendações, o distanciamento social. ‘Como assim não posso estar com meus amigos, não vou poder visitar minha família, ir num barzinho, viajar, criar memórias e tirar várias fotos pra postar nas redes sociais?’ Mas será que é só assim que mostramos que estamos vivendo e aproveitando a vida? Se ninguém me vê, eu não existo? (…) A reflexão que paira no ar é: o que eu aprendo com o meu silêncio? Por que eu não aproveito a minha própria companhia? O que você faz para transformar a solidão em solitude?” – trecho do texto da primeira semana, cujo tema foi, propositalmente, “Solidão”.

   “O amor genuíno não julga. O amor acolhe o igual, o diverso; o amor não segrega. É união de um ou mais. É aceitação. É andar juntos ou separados. É liberdade de ser e exercer afetos sem medo de olhares alheios. O amor pode nos assustar um pouco, se a vida nos aproximou de algumas experiências não tão boas. Mas não sejamos injustos com o amor – no fundo, ele é a segurança de sermos aceitos como somos. Amor é empatia! Amor é agora e, por ser presente, alimenta nossas esperanças de dias melhores…” – trecho do texto da segunda semana que, a pedido do público, abordou o tema “Amor”.

   E, nesse formato e na sequência, foram postados até o momento textos sobre “Liberdade”, “Desigualdade”, “Empatia”, “Saudade”, “Destino” e “Tempo” cada um abrindo suas semanas temáticas, que incluíram os vídeos com poemas recitados e demais conteúdos.

   A participação do público, além de percebida pelos comentários, curtidas e visualizações dos textos, vídeos e poemas, tem se dado semanalmente através da postagem de músicas em suas redes sociais usando templates do Desafio Poema Falado, sempre relativo ao tema da semana. Além disso, são previstas outras atividades, como a realização de webinários, sorteios, saraus e gincanas no decorrer do projeto. O 1º Webinário do Poema Falado, realizado em 3 de junho do corrente ano, contou com a explanação do poeta Paulo Cesar Limas, membro da Estância da Poesia Crioula de Porto Alegre/RS e da Academia Itaquiense de Letras. Participaram, como ouvintes do evento, 40 estudantes do campus Itaqui e, na ocasião, foram sorteados três exemplares do livro “Missioneiro e fronteiriço”, de autoria do palestrante. Pela participação no evento, será fornecido certificado de horas aproveitáveis como Atividade Complementar de Graduação no Grupo IV: Atividades Culturais e Artísticas, Sociais e de Gestão. Outra iniciativa para incentivar a divulgação do perfil @poema_falado entre os estudantes do campus foi o sorteio do livro “Declaração de Amor”, de Carlos Drummond de Andrade, durante a semana cujo tema era “Amor”. O 2º Webinário do Poema Falado, a se realizar neste 2 de julho com a poetisa paulista Liana Ferraz @lianaferraz, já conta com mais de 80 inscritos. As inscrições se encerram dia 02/07 às 13h e podem ser feitas através deste link:

https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSejl2S7paOTDJ1syiL_rd1rnhPgHYyVVX2bCT2epjmdIJDvaw/viewform?usp=sf_link

   O perfil também possui um quadro chamado “Curadoria Poema Falado”, que consta da postagem de um vídeo no qual um servidor do campus Itaqui da Unipampa sugere um livro de literatura (em prosa ou verso) que tenha lido e gostado muito. É uma oportunidade para valorizar a bagagem literária dos técnicos e docentes, assim como para os estudantes os conhecerem, e se configura em mais uma ação de incentivo à leitura como prática prazerosa e tão importante à formação do indivíduo. Os vídeos da Curadoria são postados às quartas-feiras. Já o quadro “Sextou no Poema Falado”, claramente postado às sextas, consiste na sugestão de um filme, série ou documentário com o tema da semana. Entendendo-se a poesia como uma linguagem que perpassa diferentes manifestações da arte, a indicação deste quadro é sempre previamente pensada pela equipe, considerando relevância e pertinência da obra ao escopo do projeto.

   O projeto Poema Falado ainda está em seu início mas tem se revelado promissor em seu propósito, conforme se percebe no depoimento de Helena de Paula Rampelotto, estudante integrante da equipe, que já recitou os poemas “Quando estou só reconheço”, de Fernando Pessoa, “A maior riqueza do homem”, de Manoel de Barros, e “De longe te hei-de amar”, de Cecília Meireles, expostos em vídeos no perfil do projeto: “O projeto tem contribuído muito… Já comentei uma vez e repito, passei a ver a poesia de uma forma completamente diferente. No ensino médio, ela era colocada de um ponto de vista estrutural – aqui ela é algo simbólico, que realmente te faz sentir aquilo que o poeta busca transmitir ao leitor. O projeto me fez ver que nunca devemos nos contentar com o pouco que conhecemos a respeito de alguma coisa, sempre devemos ampliar nosso conhecimento, pois podemos nos surpreender”. A professora Marina Prigol, uma das curadoras do projeto até o momento, também revela: “Agradeço ao projeto pela oportunidade de indicar um autor que gosto muito e mudou minha vida, o Zygmunt Bauman. Foi um grande desafio e uma ótima experiência pra mim. Acho que, com a loucura que estão as redes sociais, a gente fica com medo de se expor e ser julgado. Então foi interessante e bem desafiador esse exercício. Foi bom para refletir”.

   Aos poucos, espera-se que o projeto Poema Falado contribua para que a poesia entre, faça festa e permaneça, provocante, na vida de cada vez mais estudantes da Unipampa.

EQUIPE DO PROJETO:

Lana Carneiro Almeida é coordenadora e orientadora do projeto. Graduada em Nutrição pela Universidade Federal da Bahia, possui mestrado e doutorado em Saúde Pública pela Universidade de São Paulo. Atua como docente do curso de Nutrição – Unipampa, campus Itaqui. E-mail: lanaalmeida@unipampa.edu.br

Leandro Silveira Fleck é orientador do projeto. Graduado em Letras Espanhol pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, possui especialização em Gestão Pública pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e mestrado profissional em ensino de Línguas pela Unipampa. Atua como professor de Literatura na rede pública estadual e é Técnico Administrativo em Educação na Unipampa, campus Itaqui. E-mail: leandrofleck@unipampa.edu.br

Jonatan Ariel de Oliveira Melo é colaborador do projeto. Graduado em Serviço Social pela Unipampa, possui Especialização em Saúde Coletiva pela Unipampa e é membro do Grupo de Pesquisa “Direitos Humanos, Família e Fronteira”. Foi bolsista Proext/MEC no projeto “Educação Emocional na Escola: Refletindo sobre importância das emoções do educador e seus reflexos no aluno”. Atua como Assistente Social vinculado à prefeitura de Itaqui/RS. E-mail: melo.jonatanariel@gmail.com

Anna Paula Howes Farias é acadêmica do curso de Bacharelado Interdisciplinar em Ciência e Tecnologia, Unipampa, campus Itaqui. E-mail: annafarias.aluno@unipampa.edu.br

Helena de Paula Rampelotto é acadêmica do curso de Nutrição, Unipampa, campus Itaqui. E-mail: helenarampelotto.aluno@unipampa.edu.br

Helena Mazzucco Sorato é acadêmica do curso de Engenharia Cartográfica e de Agrimensura, Unipampa, campus Itaqui. E-mail: helenasorato.aluno@unipampa.edu.br

Mickaele Carneiro Sommer é acadêmica do curso de Nutrição, Unipampa, campus Itaqui. E-mail: mickaelesommer.aluno@unipampa.edu.br

Versão do texto em *.pdf: clique aqui.

Revisão de Walker Douglas Pincerati.

PIBID Matemática – Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência

Por Radael de Souza Parolin, Alex Sandro Gomes Leão e José Lucian Brites Pinto.

   “O PIBID é uma ação da Política Nacional de Formação de Professores do Ministério da Educação (MEC) que visa proporcionar aos discentes na primeira metade do curso de licenciatura uma aproximação prática com o cotidiano das escolas públicas de educação básica” (CAPES, 2020). Para isso, o programa oferta bolsas a discentes dos cursos de licenciatura de instituições de educação superior participantes de projetos de iniciação à docência em conjunto com as redes de ensino.

   Conforme informações do site da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), “os projetos devem promover a iniciação do licenciando no ambiente escolar ainda na primeira metade do curso, visando estimular, desde o início de sua formação, a observação e a reflexão sobre a prática profissional no cotidiano das escolas públicas de educação básica” (CAPES, 2020). Os discentes são acompanhados por um professor da escola e por um docente de uma das instituições de educação superior participantes do programa.

   O Núcleo Matemática do PIBID da UNIPAMPA se forma a partir de dois subprojetos, integrando os cursos de Matemática – Licenciatura dos Campi Bagé e Itaqui. As atividades em Itaqui tiveram início em agosto de 2018 e finalizaram em fevereiro de 2020, considerando-se o último ciclo (acessar edital clicando aqui). O programa contava com a participação de 2 Coordenadores de Área, 2 Supervisoras e 20 Bolsistas de Iniciação à Docência (ID). Nesse período, o programa foi desenvolvido em parceria com duas escolas, a saber, o Colégio Estadual São Patrício e a Escola Estadual Profa. Odila Villordo de Moraes, contemplando em ambas os anos finais do ensino fundamental e médio. Em cada umas das escolas atuaram 10 bolsistas ID e 1 Supervisora (pertencente ao quadro de professores da própria escola), distribuídos em turmas do 6° ano do Ensino Fundamental à 3° série do Ensino Médio, nos turnos da manhã e tarde.

   Destacamos aqui ações realizadas no âmbito do projeto. Uma das atividades regulares são as Monitorias, em que cada um dos bolsistas ID foi designado a uma turma e acompanhou as aulas em conjunto com o(a) professor(a) regente. O objetivo foi o de vivenciar a experiência em sala, antecipando o contato com o seu campo de trabalho, como também levar à compreensão dos desafios que a prática pedagógica apresenta.

   Complementarmente às aulas regulares, realizaram-se atividades de estudos no turno inverso ao das turmas. Por isso, essas atividades foram chamadas de Interaulas. Tal espaço possui característica interdisciplinar, com amplo suporte ao que se trabalha de forma regular, suplantando-se na autonomia do bolsista ID, com
reconhecimento das diferenças no processo de ensino e aprendizagem e com foco nas dificuldades dos educandos, espaço este comprometido com a educação, a cultura e a sociedade (UNIPAMPA, 2020a).

   No transcorrer do programa, concomitante às atividades realizadas nas escolas, os bolsistas atuaram em diversas atividades no âmbito da universidade e comunidade. Abaixo estão retratadas algumas práticas ao longo do projeto.

1ª Gincana IntegrAção
Realizada no dia 25 de maio de 2019, foi organizada pelos bolsistas ID e teve por objetivo proporcionar momentos de descontração aos alunos e professores do Curso de Matemática, que montaram equipes mistas. Entre a organização e as equipes, contou-se com a participação de quase uma centena de pessoas. Como parte das provas, ainda foram arrecadados roupas e alimentos para doação a entidades sociais.

Feira da Educação

   No dia 08 de junho de 2019, ocorreu a Feira da Educação na Praça Mal. Deodoro da Fonseca, evento que trouxe a mostra de trabalhos e projetos dos cursos de graduação da UNIPAMPA à comunidade. Na oportunidade, os pibidianos  apresentaram atividades envolvendo jogos matemáticos, expondo as atividades e trabalhos desenvolvidos em escolas parceiras do projeto.

Programa Forças no Esporte

   Em 25 de setembro de 2019, os pibidianos receberam os alunos do Programa Forças no Esporte (PROFESP), desenvolvido pelo Ministério da Defesa com apoio do Exército, “tendo como objetivos ajudar e melhorar a qualidade de vida de jovens e de crianças carentes, promovendo a inclusão social.” (BRASIL, 2020). Na oportunidade os bolsistas apresentaram atividades envolvendo jogos matemáticos proporcionando aos alunos uma maneira divertida de aprender e exercitar a matemática.

Visita da Escola Getúlio Vargas

   No dia 17 de outubro de 2019, a UNIPAMPA Campus Itaqui recebeu a visita dos alunos da Escola Getúlio Vargas. Na oportunidade, os pibidianos apresentaram atividades com materiais adquiridos pelo núcleo, com propósito de promover aos alunos uma maneira divertida de aprender e retomar conceitos matemáticos.

Apresentação de Trabalhos no 11º SIEPE

   Entre os dias 22 e 24 de outubro de 2019, os bolsistas ID participaram do 11º Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão (SIEPE) da UNIPAMPA em Santana do Livramento, com a apresentação de diferentes trabalhos desenvolvidos ao longo do projeto, abarcando atividades e práticas ao ensino de Matemática.

Anima Campus

   Em 05 de novembro de 2019, aconteceu o 2º Anima Campus, evento aberto à comunidade e que teve por objetivo a mostra de trabalhos e projetos dos cursos de graduação da UNIPAMPA. Nesse dia, os bolsistas ID divulgaram o programa aos visitantes, em sua maioria alunos de escolas da rede pública do município, e apresentaram atividades fazendo uso do material didático adquirido pelo projeto.

 

Intervenções pedagógicas: propostas em turmas acompanhadas pelos bolsistas

   No transcorrer do projeto os bolsistas ID ministraram atividades nas turmas onde atuavam, com intervenções que tinham como objetivo complementar as temáticas abordadas pelos professores regentes. Para isso, os pibidianos utilizaram atividades lúdicas e diferenciadas visando tornar o momento mais atrativo e divertido, contribuindo com o processo de ensino e aprendizagem do educando.

Processos Formativos de Ação Inicial e Continuada:

   Entre as realizações do programa aconteciam os processos formativos, os quais se concretizaram em encontros com discussão e aplicação de propostas acerca do Ensino de Matemática, promovendo oportunidades de aprendizagem e contribuindo com o processo de formação docente dos bolsistas ID. As atividades foram desenvolvidas por professores do Curso de Matemática da UNIPAMPA Campus Itaqui.

   O programa PIBID tem se mostrado muito importante na formação dos alunos, e com sua característica de Iniciação à Docência, permite o desenvolvimento da pesquisa à prática, como suporte às atividades curriculares do curso de Matemática. Ser pibidiano torna-se, portanto, uma marca para o curso, que se sustenta frente à diferentes espaços formativos e à responsabilidade social envolvida aos cursos de licenciatura.

   A continuidade do programa já está programada para os próximos meses, considerando-se a aprovação do núcleo de Matemática. Portanto, haverá um novo ciclo, do qual esperamos ser abraçados pelas escolas parceiras e pela comunidade itaquiense, a fim de contribuir com a formação dos nossos alunos, mas também impactar positivamente os professores já atuantes e toda a comunidade escolar.

Radael de Souza Parolin é professor da Universidade Federal do Pampa e Coordenador de Área do PIBID no subprojeto Multidisciplinar: Núcleo Matemática (2018 a 2020) – radaelparolin@unipampa.edu.br

Alex Sandro Gomes Leão é professor da Universidade Federal do Pampa e Coordenador de Área do PIBID no subprojeto Multidisciplinar: Núcleo Matemática (2018 a 2020) – alexleao@unipampa.edu.br

José Lucian Brites Pinto é discente do curso de Matemática da Universidade Federal do Pampa, campus Itaqui, e bolsista de Iniciação à Docência no subprojeto Multidisciplinar: Núcleo Matemática (2018 a 2020) – josebrites.aluno@unipampa.edu.br

* Nas fotos foi ocultada a identificação de alunos das escolas, afim de preservar sua imagem. Todas as fotos são de propriedade do projeto.

 

Referências bibliográficas

BRASIL. Exército Brasileiro. Comando de operações Terrestres. Programa Forças no Esporte [página na Internet], 2017. Disponível em: http://www.coter.eb.mil.br/index.php/profesp. Acesso em: 14 de junho de 2020.

CAPES. Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência – PIBID. Chamada Pública para apresentação de propostas. Edital Nº 7/2018, 2018. Disponível em: https://capes.gov.br/images/stories/download/editais/01032018-Edital-7-2018-PIBID.pdf. Acesso em: 05 de junho de 2020.

CAPES. Pibid – Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência [página na Internet], 2020. Disponível em: https://capes.gov.br/educacao-basica/capespibid/pibid. Acesso em: 05 de junho de 2020.

UNIPAMPA. 11º Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão (SIEPE) da UNIPAMPA [página da Internet], 2019. Disponível em: https://eventos.unipampa.edu.br/siepe/apresentacao/. Acesso em: 10 de junho de 2020.

UNIPAMPA. PIBID Institucional – Núcleo Matemática – Bagé e Itaqui [página na Internet], 2020. Disponível em: https://sites.unipampa.edu.br/pibid/matematica-bage/. Acesso em: 10 de junho de 2020.

Versão do texto em *.pdf: clique aqui.

Revisão de Walker Douglas Pincerati.