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Apresentação da 13ª edição do CiênciAção

Por Equipe CiênciAção

Está no ar a 13ª edição do CiênciAção. Essa edição é muito especial porque encerra um ciclo e aponta para um novo recomeço cheio de novidades. O objetivo continua o mesmo: popularizar a ciência, mas agora com o foco direcionado para as Humanidades. Consideramos que cumprimos o nosso papel enquanto projeto de extensão ao demonstrar a importância de divulgar a ciência feita na Unipampa para a sociedade. Inspiramos. Na Unipampa, o processo de formação de palavras chamado acrônimo se popularizou como uma alternativa criativa para nomear projetos e grupos de pesquisa. Isso ilustrou o viés tecnológico da linguagem.  

Para encerrar esta primeira fase do CiênciAção, a 13ª edição traz uma série especial de artigos de opinião escritos por estudantes do curso de Engenharia de Software da Unipampa, do campus Alegrete. Os textos foram produzidos sob orientação da Prof.ª Amanda Meincke Melo.  Na seção Observatório, trazemos uma entrevista feita pelo jornalista Eduardo da Silva Vieira com o nosso colega do campus Itaqui, Leandro Fleck, sobre o seu novo livro “Eu não sou um lobisomem juvenil”, lançado recentemente na Feira do livro de Porto Alegre. Ainda na seção Observatório, os estudantes que fazem parte da equipe do projeto mostram a pesquisa que apresentaram na 13ª edição do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão (Siepe), da Universidade Federal do Pampa. Em Convite à leitura, quem faz o convite é Gustavo de Souza Pinto, discente do sétimo semestre do Curso de Bacharelado em Engenharia Florestal da Unipampa, campus São Gabriel. A sugestão de leitura é o livro “A vida secreta das árvores: O que elas sentem e como se comunicam”.

Na seção Artes e Cultura, recebemos a contribuição de Cátia Simone Machado Moraes, aluna do oitavo semestre de Letras EaD na Universidade Federal do Pampa, campus Jaguarão, Polo Alegrete. Apaixonada por Literatura desde a infância, hoje realiza aos 44 anos o sonho de cursar Letras. Em Meu Trabalho Nota 10, recebemos duas contribuições, uma da acadêmica do curso de Letras EAD/UAB, Mariane Larissa Lima Debus, e outra do acadêmico do curso de Engenharia ambiental, Gustavo Souza Pinto, campus São Gabriel. Em CiênciaAção Mulher, Nathálie Debus Borges, Bacharela em Ciência e Tecnologia pela Unipampa, campus Itaqui, conta a sua trajetória no curso e sobre o seu Trabalho de Conclusão de Curso. Por fim, em Blog e Colunista, Walker Douglas Pincerati, diz adeus à Unipampa e aos seus alunos e suas alunas do curso de Letras EAD em uma carta em que relata a sua experiência em um curso na modalidade a distância. O texto tem o potencial de despertar nos e nas docentes a essência da profissão docente, o aspecto humano. Ademais, ilustra a natureza transitória das metodologias e dos métodos da prática pedagógica que se moldam conforme a realidade dos alunos e do contexto de ensino. A carta do Walker também encerra a primeira fase do CiênciAção que ocorreu no período da Pandemia. A título de curiosidade, na primeira edição do CiênciAção, em abril de 2020, o Prof. escreveu um texto intitulado “Uma croniquinha sobre a EAD: ela não é pra qualquer um”. O texto era justamente sobre os preconceitos que rondam essa modalidade de ensino. Assim, nada mais justo do que encerrarmos esta etapa do projeto com uma carta de despedida escrita por ele.

A equipe do CiênciAção deseja uma boa leitura a todos, todas e todes.

E se você quer colaborar com o CiênciAção envie um email para contatoeditores@gmail.com.

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Pirataria e o acesso a bens de consumo

Por Marina Braun Otokovieski, acadêmica do Bacharelado em Engenharia de Software
marinaotokovieski.aluno@unipampa.edu.br

Este Artigo de Opinião foi produzido no primeiro semestre letivo de 2021 para o componente curricular Ética e Legislação em Computação do Campus Alegrete da Universidade Federal do Pampa (Unipampa), ministrado pela Prof.ª Dr.ª Amanda Meincke Melo, http://lattes.cnpq.br/3659434826954635.

No Brasil, é definido como crime de pirataria qualquer violação a direitos autorais, sendo reprodução do trabalho de terceiros, com intuito de obter lucro direto, ou indireto, conforme consta no artigo 184 do Código Penal Brasileiro (BRASIL, 1940). Porém, devemos ter ciência de que nem todas as pessoas que acessam ou disponibilizam materiais provenientes de pirataria são criminosos ou estão visando lucro.

Em 2021, dados coletados por uma pesquisa realizada pelo Centro de Estudos FGV Social indicam que a renda média do brasileiro está abaixo dos mil reais, com queda de cerca de 10,89% no primeiro trimestre de 2021, em comparação com o ano anterior (NERI, 2021). Tendo uma renda abaixo do valor do salário mínimo, que hoje em dia custa em média R $1.030,47 (DIEESE, 2021), e da cesta básica, com o agravante da alta nos valores de bens de consumo, a dificuldade de acesso se torna cada vez maior para muitas pessoas.

Nesse cenário, a camada mais fragilizada economicamente da população passa a recorrer a meios ilegais para ter acesso à cultura, informação e entretenimento. Apesar do crescimento de serviços de streaming com valores acessíveis e de o e-commerce brasileiro ter crescido 73,88% em 2020, segundo o índice MCC-ENET, o acesso aos conteúdos das plataformas exige uma boa Internet, um computador ou smartphone, além de aumentar o consumo de energia, gerando cada vez mais gastos.

Como a pirataria afeta o mercado, este busca formas de amenizar a situação, porém muitas vezes de forma ineficiente. As estratégias de falso barateamento de produtos e inserção de anúncios, nas suas versões gratuitas, incentivam ainda mais a procura por produtos piratas, com qualidade superior. Além disso, a grande fragmentação de produtos e serviços torna cada vez mais caro o acesso da população. 

Mas como solucionar o problema? A pirataria, embora ilegal, é mais um reflexo das necessidades e desejos de uma população sem acesso ao que é ofertado pelo mercado. Uma das soluções mais óbvias é o barateamento dos serviços de streaming, tornando-os mais acessíveis e oferecendo aos clientes bons meios de pagamento. Para as famílias em situação de vulnerabilidade, contudo, isso não é suficiente. Deve-se investir em políticas públicas que foquem em inclusão, educação de qualidade, promoção de crescimento pessoal e profissional, a quaisquer níveis de classe social, e acesso à cultura. Soluções que foquem em geração de empregos e diminuição da pobreza, sempre serão a melhor saída para uma população em crise. 

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Fontes

BRASIL, Lei nº 2.848, de 7 de Dezembro de 1940 – Código Penal. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del2848compilado.htm. Acesso em: 13 de Jul. 2021.

DIEESE, Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos. Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos. São Paulo, 2021. Disponível em: https://www.dieese.org.br/analisecestabasica/analiseCestaBasica202106.html. Acesso em: 12 jul. 2021.

NERI. M. Bem-Estar Trabalhista, Felicidade e Pandemia. Rio de Janeiro: FGV Social, 2021. Disponível em: https://static.poder360.com.br/2021/06/Bem_Estar_Trabalhista-Felicidade_e_Pandemia_Marcelo-Neri_FGV-Social_TEXTO.pdf. Acesso em: 12 jul. 2021.

 

Engenheiro de Software: papéis, remuneração e o CONFEA/CREA

Ícaro Machado Crespo, acadêmico do Bacharelado de Engenharia de Software
icarocrespo.aluno@unipampa.edu.br

Este Artigo de Opinião foi produzido no primeiro semestre letivo de 2021 para o componente curricular Ética e Legislação em Computação do Campus Alegrete da Universidade Federal do Pampa (Unipampa), ministrado pela Prof.ª Dr.ª Amanda Meincke Melo, http://lattes.cnpq.br/3659434826954635.

A Engenharia, segundo o dicionário Dicio, é uma “Ciência, técnica e arte da construção de obras de grande porte, mediante a aplicação de princípios matemáticos e das Ciências físicas”. Nesse sentido, é admissível enquadrar a Engenharia de Software junto às demais Engenharias reconhecidas no país. A Engenharia de Software é uma área da Computação regulamentada pela Resolução nº 5, de 16 de novembro de 2016 do Conselho Nacional de Educação/Câmara de Educação Superior, a qual afirma que o profissional da área deve ser capaz de criar soluções para problemas complexos a partir do conhecimento adquirido em sua formação e aplicá-los.

Por muito tempo, o papel do desenvolvedor – termo genérico para profissionais de Tecnologia da Informação (TI) que desenvolvem sistemas de informação – não foi regulamentado no país, principalmente devido à sua versatilidade para atuar em diferentes frentes. Com o avanço da informatização no país e no mundo, novos cursos foram criados, especificando ainda mais as atribuições desses profissionais. A própria resolução supracitada aponta cinco cursos de Computação no país: Bacharelado em Ciência da Computação, em Sistemas de Informação, em Engenharia de Computação, em Engenharia de Software e Licenciatura em Computação.

O Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (CONFEA) é uma autarquia pública, responsável por estabelecer e fiscalizar o exercício profissional no país. Já a Sociedade Brasileira de Computação (SBC) é uma Sociedade Científica sem fins lucrativos que, dentre alguns objetivos tem o de contribuir para a formação do profissional da Computação com responsabilidade social. Essas duas entidades entraram em divergências após a iniciativa da elaboração da resolução mencionada incluir o profissional de Engenharia de Software à Tabela de Títulos Profissionais do CONFEA (Resolução nº 473/02).

Segundo a SBC, a partir do Ofício nº 0012/2017/SBC/DIR, emitido em 21 de setembro de 2017, além de o CONFEA usurpar o poder e excluir uma grande parcela de profissionais atuantes na área de Engenharia de Software, estaria tentando podar a multidisciplinaridade que a Computação possui, uma vez que cada vez mais a informatização está presente nas áreas de conhecimento e serviços gerais à sociedade. Porém, é válido ressaltar que a inclusão da Engenharia de Software ao CONFEA/CREA é um grande avanço para estabelecer salários, condições de trabalho, rotinas e demais questões que a área de Computação padece.

Possuir um conselho fiscalizador e regulador da profissão apresenta diversas vantagens como as abordadas. Além disso, valorizam a mão de obra do país, no que diz respeito à formação superior e suas especializações. De acordo com o site VAGAS.com, conforme varia a experiência do engenheiro de software, os salários podem chegar a R$ 8.594,00 (informado pelos próprios candidatos), não sendo menores que R$ 4.356,00. Isso mostra o quanto pode variar o salário do profissional dependendo de seus contratos, os quais podem ser desgastantes ou não oferecer boas condições. Ao possuir um órgão fiscalizador, serviços autônomos e pisos salariais, bem como a prevenção a condições insalubres são fixadas para comodidade dos profissionais. O choque que essa regulamentação gera divergências que poderiam ser sanadas ou melhor elaboradas com uma discussão mais democrática e transparente, porém ainda é válido destacar o ganho que o agente final (profissional) tem com tais direitos adquiridos.

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Fontes

CONFEA – CONSELHO FEDERAL DE ENGENHARIA E AGRONOMIA. Resolução nº 1.100, de 24 de maio de 2018. Disponível em < http://www.confea.org.br/>, 5p, 6 de novembro de 2002. Acesso em 13 de julho de 2021.

CONFEA – CONSELHO FEDERAL DE ENGENHARIA E AGRONOMIA. Resolução 473/02. Disponível em <https://normativos.confea.org.br/downloads/anexo/0473-02.pdf>, 6p, 5 de junho de 2020. Acesso em 13 de julho de 2021.

CNE/CES – CONSELHO NACIONAL DE EDUCAÇÃO/CÂMARA DE EDUCAÇÃO SUPERIOR. Resolução nº 5, de 16 de novembro de 2016. Disponível em < http://portal.mec.gov.br/docman/novembro-2016-pdf/52101-rces005-16-pdf/file>. Acesso em 13/07/2021.

ENGENHARIA. In: DICIO, Dicionário Online de Português. Porto: 7Graus, 2021. Disponível em: https://www.dicio.com.br/engenharia/. Acesso em: 13/07/2021.

SBC – SOCIEDADE BRASILEIRA DE COMPUTAÇÃO. Ofício nº 0012/2017/SBC/DIR. Disponível em < https://www.sbc.org.br/files/CONFEA-Eng-Software.pdf>. Acesso em 13 de julho de 2021.

VAGAS. Engenheiro de Software. Disponível em < https://www.vagas.com.br/cargo/engenheiro-de-software>. Acesso em 13 de julho de 2021.

Descarte de lixo eletrônico

Por Ketrin Diovana Alves Rodrigues Vargas, acadêmica do Bacharelado em Engenharia de Software
ketrinvargas.aluno@unipampa.edu.br

Este Artigo de Opinião foi produzido no primeiro semestre letivo de 2021 para o componente curricular Ética e Legislação em Computação do Campus Alegrete da Universidade Federal do Pampa (Unipampa), ministrado pela Prof.ª Dra.ª Amanda Meincke Melo, http://lattes.cnpq.br/3659434826954635.

Resíduos de Equipamentos Elétricos e Eletrônicos (REEE) é um nome técnico para lixo eletrônico, o qual não se limita apenas a computadores e celulares. REEE diz também respeito a qualquer tipo de eletrodoméstico, como geladeiras, microondas, entre outros. O descarte de lixo eletrônico é um assunto que sempre foi uma grande preocupação não só no Brasil, mas mundialmente, principalmente, devido ao seu descarte irregular.

Todo o ano, em média, aumenta em 4% o lixo eletrônico no mundo. O Brasil se tornou, segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), um dos países subdesenvolvidos com maior índice de lixo eletrônico, descartando em média mais de 90 mil toneladas de computadores, 2,2 toneladas de celulares e 17,2 toneladas de impressoras.  

O hábito de realizar o descarte incorreto ainda é preocupante. Por mais que existam campanhas de conscientização, as pessoas não têm o hábito de separar e fazer o descarte corretamente do lixo eletrônico. Isso acarreta inúmeros problemas, não só para a saúde como também para o meio ambiente. Uma possível solução seria conscientizar, especialmente, as crianças a desenvolverem o hábito de realizar o correto descarte.

Outra possível solução para esse problema é criar mais pontos de descarte fixos para esses eletrônicos, para que tenham um fim correto. Há, segundo dados disponibilizados pelo Governo Federal, 170 pontos de coleta, porém eles são insuficientes. A partir da coleta adequada, seria possível fazer a separação e a seleção do que pode ser aproveitado e, com isso, realizar consertos ou até mesmo montar novos equipamentos com a finalidade de serem distribuídos para pessoas sem condições de comprar um equipamento eletrônico. Assim, os REEE seriam mais bem aproveitados e, ao mesmo tempo, poderiam beneficiar quem realmente precisa.   

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  • Fontes

BRASIL. Saúde Ambiental: Brasil vai aumentar pontos de coleta de lixo eletrônico, 31 jan. 2020.  Disponível em: https://www.gov.br/pt-br/noticias/meio-ambiente-e-clima/2020/01/brasil-vai-aumentar-pontos-de-coleta-de-lixo-eletronico. Acesso em: 09 jul. 2021.

NOTÍCIAS Concursos. Atualidades: Problemas do descarte de lixo eletrônico no ambiente, 13 sept. 2020.  Disponível em:  https://noticiasconcursos.com.br/atualidades-problemas-do-descarte-de-lixo-eletronico-no-ambiente. Acesso em: 09 jul. 2021.

AGÊNCIA Brasil. Agência Brasil explica: como é o descarte correto do lixo, 15 maio. 2021. Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2021-05/agencia-brasil-explica-como-e-o-descarte-correto-do-lixo-eletronico. Acesso em:  09 jul. 2021.

GREEN Eletron. Como descartar lixo eletrônico durante a quarentena, 11 jul. 2021. Disponível em:  https://greeneletron.org.br/blog/como-descartar-o-lixo-eletronico-durante-a-quarentena/ Acesso em: 13  jul. 2021.

Estamos seguros no Mundo Virtual?

Pro Débora Patrícia Ströher, acadêmica do Bacharelado em Ciência da Computação
deborastroher.aluno@unipampa.edu.br

Este Artigo de Opinião foi produzido no primeiro semestre letivo de 2021 para o componente curricular Ética e Legislação em Computação do Campus Alegrete da Universidade Federal do Pampa (Unipampa), ministrado pela Prof.ª Dra.ª  Amanda Meincke Melo, http://lattes.cnpq.br/3659434826954635.

Em decorrência da evolução cada vez mais rápida da Internet e do desenvolvimento de aplicações voltadas a ela, a segurança da informação tornou-se um tema de extrema importância para o nosso dia a dia. Utilizamos a Internet para realizar desde atividades comuns, como acessar redes sociais ou nos informarmos, como também para acessar aplicativos de bancos, realizar pagamentos e até mesmo trocar informações confidenciais.

Um estudo recente divulgou que existem 4,72 bilhões de usuários de Internet no mundo hoje. Isso gera um número gigantesco de informações sendo trocadas diariamente, nem sempre com a devida segurança necessária – o que acaba atraindo olhares de pessoas com intenções maliciosas no uso desses dados. Constantemente vemos reportagens sobre invasões e roubo de dados ao redor do mundo, causando danos financeiros graves para empresas ou até mesmo para a vida das pessoas.

Contudo, empresas de desenvolvimento muitas vezes não se preocupam com questões de segurança, porque isso exige um investimento de tempo e dinheiro em capacitações. Além disso, é pouco comum que o profissional da área da Computação receba essa capacitação durante a sua graduação.

Para mudar essa realidade precisaríamos de um processo de formação diferente do atual, incluindo a preocupação com a segurança dos dados desde a graduação e priorizando cada vez mais esse tema tão relevante.

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  • Fontes

DATAREPORTAL. Digital Around the World. [2021?]. Disponível em: https://datareportal.com/global-digital-overview. Acesso em: 08 jul. 2021.

GOMES, M. R. A Formação Profissional De TI No Âmbito Da Segurança Da Informação: estudo de caso em Instituições de ensino superior de Santa

Catarina. Florianópilos: Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Santa Catarina, 2017. Disponível em: https://repositorio.ifsc.edu.br/bitstream/handle/123456789/1180/TCC%20Marcelo%20Gomes%20-%20Seguran%C3%A7a%20-FINAL.pdf?sequence=1. Acesso em: 08 jul. 2021.

Escritor itaquiense Leandro Fleck apresenta livro

O escritor, professor e servidor público da Unipampa Campus Itaqui, Leandro Silveira Fleck, fala sobre o seu livro “Eu não era um lobisomem juvenil”, (163 páginas, Gráfica e Editora Itaqui).

O itaquiense Fleck também é autor do romance “A Suástica em La Cruz” e está trabalhando no lançamento de uma nova obra. 

O escritor participou recentemente da Feira do Livro em Porto Alegre.    

Acompanhe a entrevista concedida ao integrante do CiênciAção, Eduardo Silva.

 

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Meu trabalho nota 10

Por Mariane Larissa Lima Debus

Olá, me chamo Mariane Larissa Lima Debus, sou natural de Santiago/RS, mas resido atualmente em Itaqui/RS. Sou acadêmica do 8º semestre de Letras – EAD/UAB Unipampa. Venho aqui apresentar o meu Trabalho de Conclusão de Curso I, o qual desenvolvi no 7º semestre orientada pela Prof.ª Dr.ª Denise Aparecida Moser. O tema da minha pesquisa foi “A Importância do Estudo da Gramática Reflexiva: Impacto no Preconceito Linguístico”.

O referido trabalho dispõe sobre a relevância, da gramática reflexiva, visto que, presenciamos em nosso dia a dia que o uso da norma padrão caminha com a linguagem informal ou conotativa de modo que, quando estamos dialogando em uma conversa no WhatsApp ou em outras mídias sociais e aplicativos de mensagens, podemos nos valer de uma linguagem sem pré-requisitos. 

Quando estamos reunidos com amigos ou familiares em um churrasco de domingo, em uma festa de aniversário ou em outra situação a qual não exige formalidades, não nos sentenciamos a utilizar a norma culta. Outrossim, uma apresentação de relatório em uma empresa, a apresentação de um trabalho acadêmico, ou qualquer outra circunstância que requeira protocolos ou determinações específicas, temos de nos embasar na norma padrão.

Sendo assim, no meu Trabalho de Conclusão de Curso I procuramos por meio de uma pesquisa qualitativa de natureza básica, com objetivo descritivo, e levantamento bibliográfico em livros, artigos científicos e demais materiais teóricos sobre a temática do estudo, analisar se a gramática reflexiva é suficiente para garantir o uso da norma padrão da Língua portuguesa sem que haja preconceito linguístico no Brasil, perceber se a gramática reflexiva permite o processo de comunicação e interação social e ponderar se a gramática reflexiva é aplicada no dia a dia.

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Quer saber mais sobre o assunto, a seguir algumas sugestões de leitura:

ANTUNES, Irandé. Aula de português: encontro e interação. São Paulo: Parábola, 2003.

BAGNO, Marcos. Dramática da Língua Portuguesa. São Paulo: Loyola, 2000.

BAKHTIN, Mikhail. Marxismo e filosofia da linguagem. 12. ed. São Paulo: Hucitec, 2006.

GERALDI, João Wanderley. Linguagem e ensino. Campinas: Mercado de Letras, 1996.

PERINI, Mário. Sofrendo a gramática. São Paulo: Ática, 2000.

POSSENTI, Sírio. Por que (não) ensinar gramática na escola. Campinas: Mercado de Letras, 1996.

VYGOTSKY, Lev Semionovitch. Pensamento e linguagem. São Paulo: Martins Fontes, 1989.

ZANELLA, Liane Carly Hermes. Metodologia de pesquisa. 2. ed. rev. e atual. Florianópolis: UFSC, 2011. Disponível em:  https://www.atfcursosjuridicos.com.br/repositorio/material/3-leitura-extra-02.pdf. Acesso em: 30 jun. 2021.

Carta aos estudantes

Curitiba, 24 de novembro de 2021.

Só escrevendo outra carta para apresentar a carta que segue abaixo. 

A Coordenação do Curso de Letras a Distância, modalidade Institucional, ofertada pela UNIPAMPA Jaguarão, e as e os discentes de seus 5 polos (Alegrete, Dom Pedrito, Jaguarão, Santana do Livramento, São Borja) promoveram entre 13 e 15 de abril deste ano, em plena pandemia, a I Semana Acadêmica do Curso de Letras EaD. Essa Semana teve como tema “Educação em rede: afeto real em ambiente virtual”. A Semana foi toda online.

Eu estava no meu canto apenas cuidando e atualizando o site do evento e, de repente, a professora Marcela me manda uma mensagem dizendo que não era para eu ficar assim não. Que iria falar numa roda de conversa com o tema “Formação docente e ensino de línguas”. Na verdade, ela me convocou a falar. Eu não tive escolha. E fiquei pensando o que é que eu iria falar? As professoras Ida Maria Morales Martins e Aden Rodrigues Pereira são autoridades no assunto, e eu “ma-le-má” tinha lido um texto do Paulo Freire. 

Sem muito bem saber o que falar, achei que a melhor alternativa talvez fosse eu aplicar o que aprendi lendo a carta aos professores do Paulo Freire. Decidi então escrever uma carta. Uma carta contando da minha experiência, das minhas vivências, dos meus fracassos e sucessos. 

Quando a carta foi lida, a plateia pediu que eu publicasse essa carta no site do curso. Mas depois dessa semana cheia de afetos e reflexões, outros desafios se levantaram. Dentre eles, minha mudança de local de trabalho. Eu já me redistribuíra ao Departamento de Línguas Estrangeiras Modernas da Universidade Tecnológica Federal do Paraná, no campus Curitiba. A mudança foi muito grande e só depois que as coisas se estabeleceram um pouco, pude redigir o texto. 

Ao término deste ano, ao qual o CienciAção encerrará um ciclo de trabalhos com pandemia, julguei ser a oportunidade de publicar este escrito. O CienciAção é um projeto ambicioso porque tem lugar para nossas artes. 

Com muita estima,
Walker.

Curitiba, 14 de abril de 2021.

Testemunho de uma experiência.
Carta ao Curso de Letras EaD da Unipampa: O que aprendi?

Queridas e queridos professores!
Meu saudosos e saudosas estudantes!

 

O jeito que encontrei para responder ao chamado de nossa amada professora Marcela, para participar desta Roda de Conversas com o tema “Formação Docente e Ensino de Línguas”, foi escrevendo esta carta. Isso porque este tema me é muito caro; ainda me sinto muito inseguro em tratar dele em público, por causa da minha pouca formação na área pedagógica.

Não sei se todos e todas sabem, mas eu tenho uma graduação em Licenciatura em Letras, mas sim uma graduação em Bacharelado em Linguística; curso que é ofertado pelo Departamento de Linguística do Instituto de Estudos da Linguagem da Universidade Estadual de Campinas, a UNICAMP. Esse Instituto tinha, à época em que me formei, a graduação em Bacharelado e em Licenciatura em Letras – Português, ofertados não só pelos Departamentos de Linguística Aplicada e de Teoria Literária, como também tinha o curso de Fonoaudiologia ofertado conjuntamente com a Faculdade de Ciências Médicas também da UNICAMP. Perceba então que minha formação não conteve disciplinas literárias, da aplicada ou Educação, muito embora eu tenha estudado disciplinas da Educação quando cursei a graduação em Licenciatura em Matemática na Universidade Federal de São Carlos, a UFSCar. Aliás, na UFSCar, eu cheguei a pesquisar um tanto sobre Educação Matemática porque eu queria ser professor. Nesses estudos, deparei-me com a difícil discussão sobre a relação matemática, currículo e poder, sobre os projetos de dominação que incidiam e incidem na concepção do currículo, sobre o modo distante que esse campo lindo de saber é apresentado e trabalhando nas escolas brasileiras, o que me levou a desistir da licenciatura, isto é, de ser professor nas escolas brasileiras. Estudar Educação Matemática me levou a desistir da Educação e também da Matemática.

Quatorze anos depois, torno-me Professor do Magistério Superior na Fundação Universidade Federal do Pampa, a UNIPAMPA, especificamente para atender o novíssimo curso de Letras – Português a Distância da universidade. Eu já lecionara num curso a distância na Faculdade SENAI de Tecnologia de Jaraguá do Sul (SC), mas era um curso tipo “pacote fechado”, que vinha tudo pronto – inclusive as situações de aprendizagem; cabendo-me realizar, portanto, a tutoria em datas e horários pré-determinados e dar duas aulas presenciais para cumprir os requisitos legais. Na UNIPAMPA a situação foi completamente diferente: estava tudo por se fazer; absolutamente tudo. Havia orientações, mas não havia metodologias, métodos ou técnicas prontas; não havia materiais prontos. Particularmente, não sabia muito o que fazer e escutava o que meus e minhas colegas mais próximos – como Vitor, Camila, Cláudia, Socorro – faziam. 

Logo de cara peguei Estudos Gramaticais I e II, componentes curriculares que objetivam revisar a gramática normativa do português. De cara se impôs esta questão: como ensinar essa gramática nesse curso? E o desafio estava lançado.

Escutei das minhas colegas as maravilhas dos podcasts para evitar muitos encontros síncronos, já que o curso é EaD. E como é e era do meu feitio escrever o meu material – porque assim também estudo -, decidi disponibilizar textos, podcasts e exercícios, os quais gosto que sejam difíceis. Logo vieram as muitas reclamações, críticas e protestos; soube inclusive que uma aluna teve um ataque de nervosismo ao tentar me entender. Fui inclusive acusado de causar evasão – e hoje entendo que, além do fracasso do método, existia o grau de dificuldade de um texto com morfologia e sintaxe muito descritivo. Terminei o ano com forte sentimento de fracasso, de culpa, de solidão e, consequentemente, de muita tristeza. 

As críticas, contudo, não foram em vão, porque meu tom incisivo e duro mascara minha eterna disposição a escutar as e os estudantes; o meu texto não mostra uma pessoa aberta a críticas – por causa de meu estilo de escrever. Mas eu não chegaria, creio, até aqui se eu não fosse uma pessoa aberta a críticas.

Então, em 2018, mudei os métodos. Os e as estudantes não dispensavam meus textos, mas queriam videoaulas. Então preparei caprichosamente videoaulas para explorar o conteúdo, exercícios para avaliá-los e fóruns para questionamentos e outras avaliações. Os ‘ânimos das e dos estudantes ficaram um pouquinho mais alegres, e as reclamações já não eram tão duras e agressivas; mas ainda reclamavam bastante das minhas provas discursivas. Óbvio! Eu aplicava mormente questões objetivas via questionários e fóruns discursivos no decorrer do semestre; mas a avaliação ou prova final, eu fazia questão de que eles e elas escrevessem para mostrar – expor – seus raciocínios, afinal, serão professores e têm que se esforçar em traçar um raciocínio e uma análise gramatical, por mais que o resultado não seja o “correto”. Mas ao redigir a prova final verifiquei que as videoaulas, que eu ficava muitas horas e por vezes dias desenvolvendo, eram pouquíssimas visualizados – talvez por causa do tempo de cada um, afinal não os dividia em vídeos de 20 minutos de duração cada (o que renderia mais boas horas de edição). O resultado foi a reprovação de vários alunos, alunas e alunes que não viram os vídeos e, portanto, não conseguiram responder satisfatoriamente uma prova elaborada com base neles. 

Compreendi então que a videoaula, no nosso caso na UNIPAMPA, era um material com altíssimo custo humano de produção para serem muito pouco visualizados. O que fazer? Eu devia me render aos exercícios objetivos – cujas respostas são facilmente compartilhadas via whats, face ou outro, e a videoaulas? Como garantir um mínimo poder de análise e reflexão linguística? O jeito era fazer encontros síncronos para que a minha palavra tanto escrita quanto falada fosse escutada, e que eu pudesse escutar de imediato as dúvidas e poder assim responder em tempo real – imediato – a cada um deles. E foi o que fiz.

Com isso, em 2019, adotei mconferências regulares – a princípio não gravadas, e depois – a pedido dos e das estudantes – gravadas para explorar o conteúdo; disponibilizei os meus textos, além de disponibilizar outros textos e alguns exercícios objetivos – os quais sempre tive dificuldade de elaborar porque penso que devem ser difíceis –. Ao adotar as mconfes tudo mudou: a alegria tomou conta dos Estudos Gramaticais, alunos, alunas e alunes se aproximaram muito mais de mim porque perderam o medo de mim, e eu percebi que minha “gargalhada fatal” derrubavam as distâncias. Os exercícios continuavam difíceis e com pegadinhas, mas eles, elas e elos não se intimidavam em me questionar, apontar erros, propor soluções e alternativas.

Nessa fase aprendi duas coisas. Uma com a professora Cláudia. No começo, não abria a câmera porque a internet era ruim; mas eu a vi abrindo no início das atividades para dar um “oi” e depois fechava. Comecei a fazer isso para a alegria da galera, até que um dia uma estudante pediu para manter a câmera aberta porque aprendia mais; além de dizer que eu era bonito – claro!!!

Também aprendi que o texto é frio, distante, monológico, com pouca ou nenhuma interação; tal como a videoaula, que os alunos – nem todos – não veem, sobretudo quando o assunto é gramática da nossa língua, terreno onde há ainda muito sofrimento linguístico. O ensino de gramática mesmo que normativo precisa ser mais alegre, dialógico, interativo e discursivo, caso contrário, atinge só as e os iniciados e quem têm grande poder e disposição à leitura de textos técnicos. E outro sentimento: as pessoas querem aprender a gramática normativa, querem aprender a Nomenclatura Gramatical Brasileira e gostam muito de ter tempo para analisar, problematizar e discutir as críticas justas e atuais a esse saber normativo. 

Uma outra descoberta acontece em 2020. No começo dos Estudos Gramaticais II – semestre que teve início tardio por causa da Covid-19 – adotei a mconfe para explorar o conteúdo e exercícios sob a forma de questionários com questões objetivas e discursivas para avaliação. Logo que corrigi o primeiro questionário, recebi críticas de que estava sendo muito rígido na correção, que estavam desanimados… Isso foi debatido bem no início de uma mconfe que foi seguida da brilhante apresentação de um tópico da sintaxe, por um estudante que certamente gosta e domina a gramática. Ao refletir sobre o questionamento, sobre a avaliação e sobre a exposição do colega aos colegas, não tive dúvidas de que precisava mudar tudo e desde já. 

No encontro seguinte, então, rediscutimos todo o Plano de Ensino e sobretudo a avaliação. Propus que ou mantínhamos a estrutura dada ou mudávamos: eu, eles, elas e elos apresentaríamos os conteúdos, dando aulas uns aos outros até o fim do semestre. Assim, a avaliação consistiria numa nota que eles mesmos se dariam, uma nota que o grupo daria à apresentação e uma nota que eu daria. Eles poderiam apresentar sozinhos ou em grupo. Já que se trata de um curso de formação de professores e o importante é saber dar uma de gramática da nossa língua, nada melhor, argumentei, que a avaliação fosse a aula. Eles, elas e elos discutiram que era isso mesmo, que um dia dariam aula, e votaram a favor da proposta desde que a minha nota fosse a de maior peso. Eu também deixaria os questionários a título de exercícios de fixação não avaliativos. Estabelecemos uma agenda, conforme o cronograma; eles se organizaram; deixei o formato de apresentação livre – aula, podcast ou videoaula – e inclui capítulos do livro Emília no país da gramática, de Monteiro Lobato, para termos nosso momento literário em cada mconferência. 

Além das aulas, pedi que cada pessoa ou grupo sempre me apresentasse com antecedência o que fariam; e desde então passamos a nos reunir para discutir os conteúdos, revisar áudios e vídeos, e para realizar leituras dramatizadas. O resultado foi: aulas muito mais dinâmicas, com literatura e dramatização, com bastante gramática normativa e com muitas e muitos perdendo o medo de dar uma aula aos próprios colegas. 

Paulo Freire ([1993] 2001), o patrono da Educação Brasileira, escreveu em sua carta aos professores Ensinar-aprender. Leitura do mundo-leitura da palavra, que “ensinar ensina o ensinante a ensinar” ([1993] 2001, p.259). Ou seja, ensinar e aprender constitui uma relação dialética permanente, se o ato educativo é um ato de amor e de esperança, e não um simples ou “reles” tarefa de ensinar. A linguística contemporânea reconhece em qualquer vertente ou escola que a atitude do linguista é explicativa, não normativa e prescritiva, e que há saberes nos educandos – todos, docentes e discentes – que são reais e potentes, e que devemos construir com os falantes e escreventes os saberes que nos permitem explicar, criar e mudar o mundo.

Então, esta carta é uma homenagem a vocês, meus estudantes, que me tornaram também um educando, porque no ato mesmo de ensinar, ensinaram-me não só a ser melhor professor, estudioso, linguista e, acima de tudo, um amante da linguagem, da vida e das artes. A nossa educação só tem sentido se for para mudar de forma amorosa e esperançosa a nossa realidade.

Um abraço muito efetuoso a todos, todas e todes os professores e aos “vindo sendo” professores – os e as estudantes –, sem os quais não haveria este Curso!!!

Muito agradecido pelos aprendizados, beijos do fundo do meu coração especialmente a equipe BA-FÔ-NI-CA do Curso, e – lembrem-se! – toda carta chega a seu destino, ao transpor distâncias e entregar amor. Como diz o poeta… 

O amor sempre está em um lugar banhado pelos raios de sol.
Ainda que eu não possa ver você,
que não possa tocar você,
te sinto como se estivesse a meu lado.

Afinal, o amor é uma abertura para o outro.

Do seu 
Walker D. Pincerati.

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Alun@ Destaque

Por Nathálie Debus Borges

Meu nome é Nathálie Debus Borges, tenho 23 anos, sou Bacharela Interdisciplinar em Ciência e Tecnologia (BICT) pela UNIPAMPA, campus Itaqui e atualmente estou cursando Direito na UNIPAMPA, campus São Borja. Faço parte da equipe do CiênciAção e do Comitê de Gênero e Sexualidade do campus Itaqui, o Momento dElas. Fiz também, durante a minha graduação no BICT,  parte do Núcleo de Estudo Afro Brasileiros e Indígenas (NEABI) do campus Itaqui.

Foi no grupo Momento dElas que comecei minha trajetória acadêmica na pesquisa e na extensão na área de estudos de gênero, participei de alguns eventos como o Desfazendo Saberes de Gênero, em 2018, o Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão (SIEPE), nos anos de 2019 e 2020, no ano de 2020 como bolsista de extensão do grupo, em 2020 do I Seminário On-line de Estudos Interdisciplinares. Fazer parte do Momento dElas me permitiu conhecer mulheres que compartilhavam das mesmas inquietações que eu acerca das relações de gênero e fortalecer meu conhecimento sobre o feminismo e suas vertentes. O que foi um fator determinante na escolha do tema do meu Trabalho de Conclusão de Curso e na minha formação enquanto mulher feminista.

Defendi meu TCC em setembro de 2021, obtive aprovação com 9.82 de nota final, a banca de defesa foi composta pelo professor Gabriel dos Santos Kehler e pela Mestra Tamires Santana Peixoto. O trabalho intitulado de Análise de Discurso Crítica: A Objetificação da Mulher em Propagandas de Cerveja apresentou resultados do projeto de pesquisa Construção e (re)construção da imagem da mulher em propagandas de cerveja que teve como objetivo principal analisar propagandas de duas marcas de cerveja brasileiras veiculadas no anos de 2009 e 2019. A ideia era verificar se houve alguma mudança na forma em que a mulher brasileira era representada na mídia por meio da publicidade da indústria cervejeira, já que no ano inicial do recorte mostrava-se um padrão sexista atrelando a mulher à noção de “objeto a ser consumido”, tal qual a cerveja. A pesquisa ainda procurou desvelar determinados padrões estéticos e antropométricos e de valores patriarcais que fazem a manutenção da dominação masculina pelo e no discurso e como o discurso influencia no imaginário social da sociedade. Ou seja, como acaba influenciando na construção da definição de mulher. Foi utilizada como metodologia a Análise de Discurso Crítica para realizar as análises das propagandas a partir dos conceitos de poder, ideologia, hegemonia e a intertextualidade e interdiscursividade segundo Fairclough sob a orientação da professora Cristina dos Santos Lovato. Os resultados mostraram que ao fazer uma leitura desatenta das propagandas se pode sugerir que houve mudança na representação da mulher, entretanto, a mudança mostrada pela indústria cervejeira é rasa pois foram mudadas somente as estratégias de abordagem ao público. Nos resultados das análises foi possível perceber que as propagandas continuam utilizando o discurso padrão patriarcal, androcêntrico e eurocêntrico, sendo esse seu público-alvo. A diferença de 2009 até os anúncios mais atuais é a mudança em como o discurso se articula com o intuito de velar os antigos valores que continuam reproduzindo.

Texto do TCC: https://drive.google.com/file/d/1ldpPWI7XnCUuecJvuzlpexjPnVYHJZJu/view?usp=sharing 

Contato: nathalieborges.aluno@unipampa.edu.br

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Uma tal cartilha reescrita

Por Cátia Machado Moraes

Conto baseado em fatos muito reais e inspirado no Poema de Conceição Evaristo, Vozes Mulheres.

Eis o podcast da próprio autora lendo seu próprio conto, ao som de passarinhos:

O aroma do café recém passado toma conta do ambiente. Eva, absorta em seus pensamentos, observa suas filhas reunidas junto à mesa, orgulhosa de ver todas criadas, donas de seus destinos. Ela recorda o quão difícil fora sua trajetória até aquele momento. Criada em casas de estranhos, desde menina, Eva trabalhava feito adulta: escola, só frequentou até aprender a ler, depois ficara órfã e o trabalho foi o caminho para a sobrevivência.

Menina, preta, pobre, o que a vida destinaria a ela??? 

Somente seus sonhos a mantinham viva. Aprendera, desde cedo, que não teria vez. Sua existência seria para servir aos patrões, calada, sem direitos, trabalho em troca de comida. Tentando fugir dessa vida árdua, casou cedo, afinal, apaixonada, imaginava que a felicidade, enfim, chegaria. Ledo engano: vieram, sim, mais desilusões, o marido nem de longe era o príncipe de seus sonhos. Eva teve seis filhas e ainda tinha que trabalhar para alimentá-las. Muitas vezes deixava de comer para que não faltasse comida às filhas.

Ela acostumava-se à sua sina, afinal, aprendera a obedecer, a se calar, sobrevivia… Porém, suas filhas, essas ela fazia questão que estudassem. Não queria que elas seguissem sua sina. Contava-lhes histórias lindas de mulheres negras como elas que foram rainhas, guerreiras. Eva ensinava suas meninas que deveriam buscar sua liberdade, que, por meio do estudo, elas poderiam ser o que desejassem, sobretudo, donas de si. E, assim, lutara para manter suas meninas na escola. Mesmo mal sabendo ler, Eva valorizava muito a educação escolar.

E hoje ela enfim conhece a tal da felicidade, duas de suas filhas estão se preparando para a formatura. A menina mais velha e a filha caçula se tornarão professoras, enfim a liberdade! Elas terão o poder de fala! Suas vozes ecoarão! Serão referência para outras meninas pretas. Elas, que tantas vezes escutaram que “filho de pobre, preto, não dá em nada, ou se tornam bandidos ou ‘mulher à toa’.” Suas meninas contrariam as previsões ruins, e Eva sente que sua luta valeu a pena.

Ela sorve lentamente o café que hoje tem sabor de vitória, enquanto deixa escapar uma lágrima de alegria. E lembra do poema do Lêdo; desta vez, “na nova cartilha”, foi Eva quem “viu a greve”, quem “viu o povo”.

Cátia Simone Machado Moraes, aluna do oitavo semestre de Letras EaD na Universidade Federal do Pampa, campus Jaguarão, Polo Alegrete.

Apaixonada por Literatura desde a infância, hoje realiza aos 44 anos o sonho de cursar Letras.

 

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